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Síria inicia destruição de armas químicas encontradas após queda de Assad

Operação foi verificada pela OPAQ e ocorre após autoridades encontrarem instalações, produtos químicos e munições ligadas ao antigo programa

Por Redação 03/09/2026 16h04
Síria inicia destruição de armas químicas encontradas após queda de Assad
Síria iniciou operação para destruir remanescentes do antigo programa de armas químicas - Foto: OMAR HAJ KADOUR/AFP

A Síria começou a destruir remanescentes do programa clandestino de armas químicas mantido durante a era do ex-presidente Bashar al-Assad. A operação, iniciada após materiais serem localizados em maio, foi verificada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e representa a primeira destruição de munições químicas confirmada pela entidade no país desde 2014.

A descoberta dos materiais ocorreu em maio, quando a nova liderança síria localizou elementos relacionados ao antigo programa químico, incluindo matérias-primas e munições semelhantes às utilizadas em ataques com gás durante a guerra civil.

Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira, Izumi Nakamitsu, alta representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, afirmou que a OPAQ verificou pela primeira vez em uma década a destruição de munições químicas na Síria.

Além das munições encontradas inicialmente, as autoridades sírias identificaram uma instalação adicional de produção de armas químicas, um produto químico recém-identificado usado na fabricação de agentes neurotóxicos e munições químicas vazias. O país também declarou duas instalações de armazenamento onde os materiais estavam sendo mantidos.

No mês passado, uma equipe da OPAQ esteve na Síria para acompanhar a destruição de armas químicas da categoria 3, classificação que inclui munições não preenchidas e outros equipamentos utilizados para liberar agentes químicos. Segundo Nakamitsu, a equipe verificou a “destruição irreversível de 42 bombas aéreas” durante a missão.

O embaixador da Síria na ONU, Ibrahim Olabi, afirmou que o trabalho realizado pelo país representa uma forma de proteção para a população local e para outros países da região.

“protegendo o mundo e a região por meio desse trabalho”.

Durante a reunião, Olabi também acusou Israel de dificultar as operações de busca e destruição ao realizar ataques no território sírio. Segundo ele, as ações teriam colocado em risco as equipes responsáveis pelo trabalho.

“Não podemos garantir a segurança da região se a nossa própria segurança estiver exposta a ataques de Israel, que está desrespeitando a segurança de toda a região e violando as convenções e os tratados dos quais falamos”, disse Olabi.

As declarações do embaixador foram feitas em árabe e traduzidas durante a reunião do Conselho de Segurança. As Forças Armadas de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Além da destruição do material, Olabi afirmou que a Síria prepara a primeira audiência judicial de pessoas suspeitas de envolvimento no antigo programa de armas químicas.

No início deste ano, autoridades sírias prenderam 18 suspeitos de suposta participação no programa durante o governo de Assad. Entre os detidos estão pessoas que ocupavam posições de alto escalão nas áreas militar, política e técnica.