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Venezuela enfrenta risco de seca extrema e crise energética

Na Venezuela, a situação é especialmente preocupante devido à forte dependência do sistema hidrelétrico, responsável por mais de 70% da energia consumida no país

Por Sputnik Brasil 06/08/2026 13h01 - Atualizado em 06/08/2026 13h01
Venezuela enfrenta risco de seca extrema e crise energética
Foto: © AP Photo / Ivan Valencia

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) emitiu um alerta para toda a América Latina sobre a iminente chegada de um El Niño com intensidade entre as mais fortes já registradas desde 1950, segundo o Centro de Previsão Climática dos EUA.

Na Venezuela, a situação é especialmente preocupante devido à forte dependência do sistema hidrelétrico, responsável por mais de 70% da energia consumida no país.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou recentemente um plano especial para economizar eletricidade e água, além de medidas para fortalecer o sistema termelétrico em preparação para o Super El Niño. Entre os principais pontos do plano estão ações emergenciais para evitar o colapso do fornecimento de energia e água.

O engenheiro florestal e ex-ministro do Ecossocialismo, Ricardo Molina, analisou as causas e consequências do fenômeno em entrevista à Sputnik, avaliando também o plano de contingência do governo e oferecendo recomendações à população.

O que torna este El Niño um 'super' fenômeno?

Molina explicou que o El Niño é causado por um desequilíbrio térmico no oceano Pacífico. “A diferença de temperatura entre a água do Pacífico e o ar circundante tem aumentado nos últimos 20 anos, intensificando o aquecimento não só nesse oceano, mas em todos os mares do mundo”, detalhou.

Essa diferença altera o comportamento dos ventos alísios. “Com a mudança na direção dos ventos, a umidade que deveria chegar à América do Sul e Central não vem como de costume. O vento chega seco, sem umidade, prolongando o período de seca”, afirmou Molina.

O termo “super” não é exagero: especialistas projetam que, de outubro deste ano a abril de 2027, o fenômeno terá efeitos mais severos que em anos anteriores. “A temperatura vai subir além do normal, o ar seco impedirá a formação de nuvens e a precipitação será escassa. Menos chuva e muito mais calor são esperados”, ressaltou.

Impactos diretos na energia e na produção nacional

Molina alertou que as consequências vão além do desconforto para a população. “O fenômeno afeta os ciclos naturais, as florestas, a vida selvagem, a produção agrícola e os níveis de água nos reservatórios”, explicou.

O ponto crítico é a geração de energia hidrelétrica. “Na Venezuela, mais de 70% da energia vem das hidrelétricas. O cenário é de múltiplas pressões: além do desconforto humano, haverá severas limitações na produção de alimentos, na disponibilidade de água potável e de eletricidade”, pontuou.

Sobre as estratégias do governo, Molina avaliou que as ações anunciadas são necessárias, porém paliativas. “Não podemos impedir o fenômeno, mas buscamos economizar eletricidade e água potável para mitigar os efeitos”, disse.

Ele destacou que, embora a economia de energia e água não minimize os impactos do El Niño este ano, contribui para a conscientização sobre as mudanças climáticas e incentiva o uso racional dos recursos.

Molina defendeu ainda o aprofundamento da conscientização ecológica. “Precisamos modificar nossos métodos de produção e nossa relação com a natureza. É fundamental reforçar políticas de reflorestamento, preservação de bacias hidrográficas e manutenção de aceiros para prevenir incêndios florestais”, sugeriu.

Recomendações para enfrentar a onda de calor

Diante da previsão de uma estação rigorosa, Molina orientou a população a adotar medidas preventivas, como o uso de roupas leves e ventilação dos ambientes. Ele chamou atenção para o uso racional do ar-condicionado: “Para economizar energia, o ideal é evitar o uso, mas se for necessário, que seja de forma consciente. Não mantenha o aparelho ligado ao sair de casa”.

O ex-ministro fez um apelo à responsabilidade coletiva: “É fundamental apoiar os planos de reflorestamento, preservação das bacias e gestão responsável da água potável, além de fortalecer a prevenção de incêndios florestais. Sempre há mais a ser feito”.

Molina concluiu defendendo a necessidade de um novo paradigma civilizacional diante das mudanças climáticas: “O El Niño deste ano promete ser muito mais forte. Precisamos repensar a relação da humanidade com a natureza, pois o sistema atual está destruindo o planeta”.

Por Sputnik Brasil