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Caminhadas promovem conscientização sobre lipedema em 26 cidades

Neste domingo (2), pacientes, familiares e profissionais de saúde participam de caminhadas em 26 cidades do Brasil e do exterior, com o objetivo de ampliar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce da doença.

Por Agência Brasil 03/08/2026 17h05 - Atualizado em 03/08/2026 17h05
Caminhadas promovem conscientização sobre lipedema em 26 cidades

Uma em cada dez mulheres no Brasil convive com o acúmulo excessivo de gordura nas extremidades do corpo, principalmente nos braços e pernas, condição conhecida como lipedema. Muitas vezes confundido com celulite, o lipedema provoca não apenas desconforto estético, mas também dores, inchaço, sensibilidade e limitações físicas.

Neste domingo (2), pacientes, familiares e profissionais de saúde participam de caminhadas em 26 cidades do Brasil e do exterior, com o objetivo de ampliar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce da doença.

Em entrevista à Agência Brasil, a cirurgiã vascular, angiologista e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Tatiana Losada, explica que o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo exagerado de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços.

“Acomete quase exclusivamente mulheres e pode provocar dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para desenvolver hematomas”, detalha. Ela ressalta que, ao contrário da celulite — que é uma alteração estética da superfície da pele, responsável pelo aspecto de casca de laranja e, geralmente, não provoca dor significativa ou aumento desproporcional dos membros — o lipedema apresenta sintomas mais graves.

Segundo a médica, o lipedema se manifesta por aumento simétrico e excessivo das pernas ou dos braços, dor ou sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e hematomas frequentes. “É comum também haver preservação dos pés e das mãos, formando uma espécie de garrote na região dos tornozelos ou punhos”, acrescenta.

Tatiana destaca que, apesar das diferenças entre lipedema e celulite, somente uma avaliação médica pode confirmar o diagnóstico correto.

“O diagnóstico é predominantemente clínico, realizado por meio da história da paciente e do exame físico. Atualmente, não existe um exame laboratorial ou de imagem que confirme o lipedema. Exames como doppler podem ser solicitados para avaliar a circulação e descartar outras condições”, explica.

Apesar de ser considerada uma condição crônica, o lipedema pode ser tratado e controlado. O tratamento, individualizado, pode envolver alimentação equilibrada, controle do peso, exercícios físicos — especialmente fortalecimento muscular —, fisioterapia, terapia compressiva e acompanhamento multiprofissional.

“Em pacientes selecionadas, pode ser realizada cirurgia. O objetivo é reduzir dor e inchaço, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida”, afirma Tatiana.

Brasília - 02/08/2026 - Caminhadas buscam conscientizar população sobre lipedema. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil - Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As causas do lipedema ainda não estão totalmente esclarecidas, mas, segundo a médica, há forte associação com fatores genéticos e hormonais. Por isso, é comum encontrar várias mulheres da mesma família com características semelhantes, mesmo sem diagnóstico formal.

“Os sintomas também podem surgir ou se intensificar em períodos de mudanças hormonais, como adolescência, gravidez e menopausa. Ganho de peso, sedentarismo e alterações metabólicas não são causas diretas do lipedema, mas podem agravar os sintomas, a inflamação, a sobrecarga articular e as limitações de mobilidade”, explica Tatiana.

A especialista ressalta que, diante de sinais sugestivos de lipedema, é fundamental procurar um médico experiente no diagnóstico da doença e não atribuir o quadro apenas ao excesso de peso.

“Quanto mais cedo for realizada a avaliação, mais cedo será possível controlar os sintomas, proteger as articulações, preservar a mobilidade e evitar tratamentos desnecessários. O diagnóstico adequado também ajuda a reduzir a culpa que muitas mulheres carregam por acreditarem que o problema decorre somente da alimentação ou da falta de esforço para emagrecer”, conclui.