Geral
FBI rejeitou incluir acusações sem provas contra China em relatório de 2020
Segundo análise da Sputnik, os documentos revelam que representantes do FBI contestaram um trecho do relatório que sugeria que a liderança chinesa pretendia influenciar indiretamente o processo eleitoral
O Federal Bureau of Investigation (FBI) se opôs, no final de 2020, à inclusão de alegações sem comprovação sobre uma suposta interferência deliberada da China nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em um relatório oficial, de acordo com documentos divulgados pela Casa Branca.
Segundo análise da Sputnik, os documentos revelam que representantes do FBI contestaram um trecho do relatório que sugeria que a liderança chinesa pretendia influenciar indiretamente o processo eleitoral norte-americano.
"A comunidade de inteligência afirmou repetidamente, com base no conjunto das informações disponíveis, que não há evidências dessa intenção. Fazer uma afirmação tão categórica sem provas é enganoso", aponta uma troca de mensagens entre um representante do FBI e o Conselho Nacional de Inteligência.
A correspondência também indica que um oficial de inteligência buscou equiparar informações de uma fonte considerada pouco confiável a interceptações de comunicações atribuídas à liderança chinesa. O FBI destacou ainda que o relatório sustentava, sem apresentar evidências, que Pequim poderia ter incentivado protestos internos nos Estados Unidos.
Esses documentos vieram a público após o então presidente Donald Trump divulgar um pacote de arquivos desclassificados e acusar diretamente a China de interferir nas eleições presidenciais de 2020.
"O maior comprometimento de dados eleitorais da história", declarou Trump em pronunciamento à nação nesta quinta-feira (16). "Essa perda de dados representa um pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral", afirmou. "Essas revelações expõem um sistema eleitoral tão falho e tão vulnerável que ninguém consegue defendê-lo. É indefensável".
De acordo com Trump, a investigação e a desclassificação de documentos abrangem cinco áreas que, segundo ele, demonstrariam um suposto ataque cibernético contra informações relacionadas ao processo eleitoral.
"Essas informações incluem nomes, endereços, números de telefone, preferências partidárias e outros dados sensíveis que seriam necessários para se registrar para votar e participar de outras atividades ilícitas. O que é exatamente o que estava acontecendo", alegou.
Na lista de possíveis conspirações, Trump também mencionou Rússia, Irã e Coreia do Norte como países capazes de comprometer a integridade da infraestrutura eleitoral dos Estados Unidos.
As eleições gerais de meio de mandato estão marcadas para a primeira terça-feira de novembro (3), quando todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado norte-americano serão renovadas pelo voto.
Por Sputnik Brasil

