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Virginia entra na mira da PF após alertas do Coaf
Documentos analisados na CPI das Bets levantaram suspeitas sobre transações envolvendo empresas ligadas à influenciadora.
A influenciadora Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal após relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações consideradas atípicas em contas ligadas a ela e a empresas associadas. A apuração busca verificar a origem dos recursos e a legalidade das operações.
Os documentos foram analisados durante a CPI das Bets, no Senado, e também examinados pela revista Piauí. Virginia havia sido convocada pela comissão para prestar esclarecimentos sobre sua atuação na divulgação de plataformas de apostas online.
Ela compareceu ao Senado acompanhada do então marido, Zé Felipe, e do advogado Michel Saliba. Na ocasião, estava amparada por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que lhe garantia o direito de não responder perguntas que pudessem incriminá-la.
A convocação ocorreu pouco antes de a revista revelar que um contrato entre a influenciadora e a empresa Esportes da Sorte previa uma cláusula que lhe daria participação sobre resultados obtidos pela plataforma. Em depoimento, Virginia negou ter recebido valores relacionados às perdas de apostadores.
“Nunca recebi 1 real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses”, declarou.
Um dos relatórios do Coaf cita a Talismã Digital, empresa de Virginia e Zé Felipe. Entre março e setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões, sendo R$ 21,4 milhões por Pix.
Segundo a apuração, a AMP Pay Marketing e Negócios foi responsável por R$ 17,7 milhões desse total. O Santander comunicou a movimentação ao Coaf por considerar incompatíveis o porte da empresa e os valores transferidos.
Outro relatório menciona a Wpink Suplementos Nutricionais, que registrou R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos entre janeiro e março de 2025. O Mercado Pago também comunicou as operações ao Coaf por entender que os valores não condiziam com o faturamento apresentado.
Já o Itaú apontou movimentações da Savi Cosméticos S.A., razão social da Wepink. Foram identificadas 190 transações por depósitos em caixas eletrônicos, somando R$ 502 mil entre novembro de 2023 e maio de 2024.
Os representantes das empresas negaram irregularidades. A defesa da Talismã Digital afirmou que os pagamentos recebidos se referem a campanhas publicitárias regularmente contratadas e declaradas aos órgãos competentes.
Sobre a Wepink, os advogados sustentam que as operações envolvem antecipação de recebíveis, prática comum no mercado, e que os depósitos citados correspondem às vendas realizadas em quiosques da marca.


