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Cuba enfrenta colapso energético após fim de ajuda russa

Autoridades cubanas afirmam que reservas de combustível estão no limite, enquanto apagões prolongados já afetam rotina da população e aumentam tensão política com os Estados Unidos.

Por Redação 14/05/2026 16h04
Cuba enfrenta colapso energético após fim de ajuda russa
Moradores de Havana enfrentam longos apagões em meio à crise energética em Cuba. - Foto: Yuri Cortez/AFP/Getty Images

A crise energética em Cuba atingiu um novo patamar de gravidade após o governo confirmar o esgotamento do petróleo recebido da Rússia, ampliando os cortes de energia e agravando o cotidiano da população em diferentes regiões do país.

Em pronunciamento televisionado, o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, reconheceu a deterioração do sistema elétrico e afirmou que o país opera em condições extremas de abastecimento. Segundo ele, o combustível disponível para sustentar a rede está praticamente esgotado.


“Não temos absolutamente nenhum diesel”, declarou o ministro, em um momento em que o governo já enfrenta dificuldades para manter o fornecimento contínuo de eletricidade. Em Havana, os apagões chegam a durar entre 20 e 22 horas por dia, segundo autoridades.


Nos últimos dias, a falta de energia tem impactado diretamente a rotina dos cubanos, que relatam dificuldades até para atividades básicas, como carregar celulares ou utilizar transportes elétricos leves. Em muitos casos, a população tem se adaptado aos curtos períodos de energia, reorganizando tarefas domésticas durante a madrugada.


Apesar de esforços para diversificar a matriz energética, com a ampliação de painéis solares fornecidos pela China, o governo admite que o sistema ainda é instável. A dependência climática e a ausência de baterias para armazenamento limitam o impacto dessa alternativa.


No cenário político, a crise ocorre em meio à intensificação das tensões entre Cuba e Estados Unidos, que mantêm restrições econômicas e discutem novas medidas de pressão sobre o governo cubano. Washington chegou a oferecer US$ 100 milhões em ajuda condicionada a reformas estruturais, enquanto Havana afirma estar disposta a avaliar a proposta, mas sem detalhes suficientes para decisão.


“O governo cubano está pronto para ouvir ofertas de ajuda”, declarou o chanceler Bruno Rodríguez, ao comentar a possibilidade de negociação, ressaltando que ainda não há clareza sobre as condições apresentadas.