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Irã desafia ultimato de Trump e afirma: Ormuz não voltará ao status anterior

As autoridades iranianas têm defendido que as regras para transitar pelo Estreito serão definidas em parceria com Omã

Por Agência Brasil com Redação 06/04/2026 13h01
Irã desafia ultimato de Trump e afirma: Ormuz não voltará ao status anterior

Em meio a mais um ultimato do presidente Donald Trump, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) desafiou os Estados Unidos (EUA) ao afirmar que o Estreito de Ormuz “jamais voltará a ser como era, especialmente para os EUA e Israel”.

“A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica está concluindo os preparativos operacionais para a nova ordem do Golfo Pérsico”, diz comunicado publicado nas redes sociais no domingo (5).

A iniciativa visa estabelecer novas regras para passagem pelo Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas têm defendido que as regras para transitar pelo Estreito serão definidas em parceria com Omã, sem interferência das potências estrangeiras no Golfo Pérsico.

O Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás do planeta, está fechado desde o início da agressão dos EUA e Israel contra o Irã, permitindo apenas a passagem de navios autorizados por Teerã.

Estreito de Ormuz. Foto: Arte/EBC

No domingo (5), Trump ameaçou lançar “o inferno” sobre o Irã caso não permitam a reabertura do Estreito até terça-feira (7).

O presidente dos EUA vem ameaçando destruir o Irã “enquanto nação”, com quase 90 milhões de habitantes, caso não aceitem as condições impostas por Washington para o fim da guerra, chegando a afirmar que levaria o país para a “Idade das pedras”.

Acordo distante

Um documento com 15 pontos circula como proposta de Trump para encerrar o conflito, incluindo o fim do programa nuclear pacífico do Irã e o desmantelamento do seu programa balístico.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (7), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rejeitou as propostas estadunidenses, consideradas “altamente excessivas, incomuns e ilógicas”.

O Irã exige compensação financeira pelos danos causados pelos ataques, a retirada definitiva das bases militares dos EUA da região e o fim das frentes de combate no Líbano e na Faixa de Gaza.

O porta-voz do Exército iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou em comunicado que é necessário levar o inimigo a um “arrependimento genuíno para evitar a repetição da guerra no futuro”.

“Declaramos categoricamente que o inimigo falhou nesta fase da guerra em alcançar seus objetivos e foi derrotado”, disse Akraminia, segundo a agência iraniana Tasnim.

Ataques iranianos e retaliações

Em novo vídeo publicado hoje, o porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, Ibrahim Zulfiqari, anunciou os alvos da 98ª onda de ataques do Irã contra instalações ligadas a Israel e EUA no Oriente Médio.

Segundo o porta-voz da Guarda Revolucionária (IRGC), foram alvejados um navio porta-contêineres SDN&, além de “locais estratégicos” em Tel Aviv, Haifa, Be’er Sheva e Bat Hafer, em Israel.

Zulfiqari acrescentou que quaisquer ataques a alvos civis seriam respondidos com múltiplas medidas contra os interesses do inimigo em qualquer ponto da região.

“Caso os ataques a alvos civis se repitam, a próxima fase de nossas operações ofensivas e retaliatórias será realizada com intensidade e abrangência muito maiores, e as perdas e os danos sofridos pelo inimigo, caso persista nessa abordagem, serão multiplicados muitas vezes”, afirmou o porta-voz iraniano.