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CVM abre processo contra 33 executivos da Braskem por omissões sobre afundamento do solo
Apuração analisa possível omissão de passivos ambientais ligados à extração de sal-gema; caso envolve executivos atuais e antigos
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou, na última quarta-feira (4), um processo administrativo sancionador contra 33 executivos e ex-executivos da Braskem. A apuração busca identificar eventuais falhas na divulgação de informações ao mercado relacionadas aos impactos da extração de sal-gema em Maceió, que resultaram no afundamento do solo em bairros da capital alagoana.
De acordo com a CVM, o foco da investigação é verificar se a companhia informou de forma adequada os passivos ambientais e financeiros decorrentes do fenômeno de subsidência, que levou à desocupação de áreas inteiras da cidade e à retirada de aproximadamente 60 mil moradores de suas residências.
Entre os citados no processo estão ex-presidentes da Braskem, como Fernando Musa e Carlos José Fadigas de Souza Filho, além de executivos vinculados à Novonor e à Petrobras, empresas que figuram entre as controladoras da petroquímica.
A lista de investigados inclui ainda nomes como Marcelo Odebrecht, Newton Sérgio de Souza e Almir Barbassa, além de gestores que seguem exercendo funções na estrutura administrativa da companhia.
O processo teve origem em outubro de 2025, a partir de apurações iniciadas pela autarquia em 2023. Atualmente, o procedimento encontra-se na fase de citação dos acusados. As acusações individuais ainda não foram detalhadas publicamente pela CVM.
Em novembro de 2025, a Braskem firmou um acordo com o Governo de Alagoas no valor de R$ 1,2 bilhão, destinado ao ressarcimento de danos relacionados ao caso, com previsão de pagamento ao longo de dez anos.
Procurada, a Braskem ainda não se manifestou sobre a abertura do processo administrativo.


