Geral

Desembargador alagoano sugere mudança de nome para Avenida Fernandes Lima

Pedido tem relação com o Quebra de Xangô, maior ato de intolerância religiosa da história de Alagoas

Por Redação 03/02/2026 19h07 - Atualizado em 04/02/2026 03h03
Desembargador alagoano sugere mudança de nome para Avenida Fernandes Lima
Avenida Fernandes Lima - Foto: Agência Alagoas

O desembargador Tutmés Airan, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), levantou um debate em suas redes sociais neste domingo (1) ao recordar o Quebra de Xangô, que é considerado o maior ato de intolerância religiosa em Alagoas. Tutmés refletiu sobre a figura de Fernandes Lima, que nomeia uma das principais avenidas da capital, e foi um dos principais responsáveis por orquestrar o episódio.

No episódio, que completou 114 anos nesta segunda (02), mais de 150 terreiros em Maceió foram dizimados. Religiosos de matriz africana foram perseguidos e agredidos fisicamente, presos arbitrariamente e intimidados de forma massiva. Instrumentos e objetos sagrados foram destruídos e depredados.

“Este episódio nefasto ficou conhecido como o Quebra de Xangô, e teve Fernandes Lima como um de seus maiores responsáveis. E é este mesmo Fernandes Lima, com histórico marcado por intolerância religiosa, violência e oportunismo político, o homenageado com o nome de uma das maiores avenidas da capital alagoana”, declarou Tutmés.

Desembargador Tutmés Airan. Foto: Reprodução / Poder Judiciário de Alagoas

O desembargador anunciou também que esteve em reunião com o Defensor Público Geral do Estado, Fábio Souto Leão, para entrega de uma nota técnica na qual analisa a possibilidade de alterar a denominação de ruas e logradouros públicos que prestem homenagem à Fernandes Lima.

Estiveram presentes na reunião o Coordenador da Comissão de Equidade Racial do TJAL e integrante da Coordenadoria de Direitos Humanos, juiz Vinicius Augusto de Souza Araujo; e do Coordenador de Direitos Humanos do TJAL, Pedro Montenegro.

“A Justiça histórica vem, na maioria das vezes, bem tarde. Ainda pior do que tardar, é quando ela nunca chega ou quando não se reconhece a urgência de realizá-la o quanto antes”, conclui Tutmés.