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Primeira UTI exclusiva para adolescentes é inaugurada em Alagoas

Unidade conta com 10 leitos e já está em funcionamento

Por Agência Alagoas 03/02/2026 14h02
Primeira UTI exclusiva para adolescentes é inaugurada em Alagoas
Edvânia está com seu filho na UTI Adolescente do HGE e confirma a qualidade assistencial - Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE

Thallysson Alves / Ascom HGE

O Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, dá mais um passo pioneiro na saúde pública de Alagoas ao lançar a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para adolescentes do estado. Desde janeiro de 2026, jovens entre 13 e 17 anos contam com uma área dedicada a tratamentos intensivos multidisciplinares, fruto do compromisso da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) em oferecer assistência especializada a esse público.

A nova UTI Adolescente dispõe de 10 leitos e já está em funcionamento, com equipe formada por 10 médicos – sete clínicos e três pediatras especializados –, além de profissionais de Enfermagem (técnicos e graduados), Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Serviço Social, Psicologia, farmacêuticos e outras especialidades médicas.

“A criação da UTI Adolescente é uma conquista baseada no entendimento de que os adolescentes vivem uma fase de transição fisiológica e comportamental, distinta tanto de crianças quanto de adultos. Nosso objetivo é atender às necessidades clínicas, psicológicas, de desenvolvimento e de segurança desse grupo, que muitas vezes não encontra suporte adequado em UTIs pediátricas ou adultas”, explica o diretor médico, Miquéias Damasceno.

As causas mais comuns de internação intensiva entre adolescentes incluem tanto doenças típicas da infância – como problemas respiratórios – quanto condições mais frequentes em adultos, como intoxicações e traumas complexos. Esse perfil diversificado exige uma abordagem que una expertises pediátrica e adulta, com atenção especial às particularidades clínicas e comportamentais da adolescência.

Segundo Damasceno, “estudos epidemiológicos no Brasil apontam o trauma como principal causa de internação em UTIs de adolescentes, seguido por intoxicações por drogas ou álcool, além de disfunções respiratórias e neurológicas. Os adolescentes criticamente enfermos apresentam demandas que variam conforme o desenvolvimento físico e emocional, incluindo riscos comportamentais e aspectos psicossociais”.

O estudante Edson Victor Santos Firmino, de 17 anos, é um dos primeiros beneficiados pela nova UTI. Ele sofreu uma forte queda de bicicleta, resultando em traumatismo cranioencefálico e convulsão, sendo inicialmente atendido na UPA da Chã da Jaqueira. “Eu estava pedalando quando senti tontura e parei a bicicleta. Perdi as forças e caí. Depois disso, só sei o que me contaram. Fui levado à UPA, tive uma parada cardiorrespiratória e, depois, o Samu me trouxe para o HGE. Fui acolhido na Área Vermelha e transferido para a UTI Adolescente. Nem sabia que existia um lugar assim”, relata Edson.

Durante a internação, a mãe de Edson, Edvânia Santos da Silva, de 49 anos, acompanhou de perto a evolução do filho. “Fiquei muito preocupada, mas fui me tranquilizando ao ver a qualidade do atendimento e a dedicação dos profissionais. A estrutura e a tecnologia disponíveis impressionam. Tenho certeza de que vamos superar essa fase e voltar para casa com meu filho recuperado”, afirma Edvânia, que é cozinheira e mora com os dois filhos na Chã da Jaqueira.

A implantação de uma UTI voltada para adolescentes traz benefícios como a organização do fluxo de cuidados, redução de disparidades no atendimento e alocação de recursos e expertise para um perfil clínico e psicossocial específico. Unidades com protocolos adaptados à adolescência tendem a reduzir complicações, erros de dosagem, falhas de comunicação e manejo inadequado de riscos comportamentais, além de otimizar a gestão de recursos ao priorizar casos que realmente demandam cuidados intensivos diferenciados.