Esportes
Com disposição e alegria, corredores anônimos agitam a São Silvestre
Segundo os organizadores, 47% dos inscritos são mulheres
A mais tradicional corrida de rua do Brasil celebra sua centésima edição nesta quarta-feira (30), em São Paulo, registrando um recorde de inscritos. Mais de 55 mil pessoas se cadastraram para participar desta edição histórica da Corrida Internacional de São Silvestre.
A maioria dos participantes é formada por corredores anônimos, vindos de diversas regiões do país e do exterior, movidos pelos mais variados motivos: seja para se exercitar, se divertir ou cumprir promessas. O que todos compartilham é a motivação e a alegria de encerrar o ano superando o desafio de completar a prova, mesmo sob o forte calor que marca a manhã paulistana.
Uma dessas corredoras é Iza Soares, 43 anos, do Rio de Janeiro, que participa da corrida fantasiada de brigadeiro, em homenagem ao trecho mais emblemático e difícil da prova: a subida da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio.
“Vim fantasiada de brigadeiro porque é o momento mais emblemático da corrida. Só chega na [avenida] Paulista quem passa pela Brigadeiro. E ali, ao contrário do que as pessoas pensam, que é o medo, ali é a verdadeira festa, é a hora de jogar tudo para o alto e curtir”, contou à reportagem.
Esta é a segunda vez que Iza participa da São Silvestre.
“A São Silvestre é a nossa tradição e simboliza tudo nesse último dia do ano: tudo que a gente correu, tudo que a gente viveu. É um momento de celebrar tudo isso. É, sem dúvida, a corrida mais importante do Brasil. Isso só vai acontecer de novo daqui a 100 anos. Então é imperdível, não tem como não estar aqui hoje.”
Laila de Andrade da Silva, 29 anos, também estreou na prova com fantasia. Ela e um grupo de amigos escolheram se vestir como personagens da série Teletubbies. “O pessoal queria alguma coisa diferente. Pensei em algo fácil para todo mundo conseguir a roupa e foi essa mesmo. Todo mundo topou”, explicou. “Estou com bastante expectativa porque esta é a centésima edição, então sei que tem um peso diferente, que é muito importante. Espero que dê tudo certo e que a gente se divirta acima de tudo. O trecho que mais preocupa é a [subida da] Brigadeiro, porque todo mundo tem medo da mais temida, né? Mas vamos vencer com certeza e fazer a dancinha no final”, brincou.
Participação feminina bate recorde
Neste ano, a participação de mulheres na São Silvestre cresceu e atingiu um recorde histórico. Segundo os organizadores, 47% dos inscritos são mulheres.
As amigas Islaine Souza, 45 anos, e Thais Crespo, de Jacareí (SP), fazem parte desse marco. Elas participam pela primeira vez da prova, integrando um grupo de 400 mulheres corredoras da cidade.
“Temos um grupo de mulheres corredoras em Jacareí, com cerca de 400 integrantes. Muitas delas estão aqui hoje e a São Silvestre é um ícone para quem corre. Este é um dia de celebração. Queríamos muito estar aqui e estamos conquistando mais um marco na nossa trajetória”, conta Islaine.
Para marcar o momento, elas escolheram fantasias de bailarinas. “Bailarinas pisca-pisca. Nossa saia brilha porque queremos aparecer na São Silvestre”, brinca Islaine. “Nossa ansiedade está a mil porque é a nossa primeira São Silvestre. Estamos aqui para celebrar o nosso momento, nosso ano e tudo o que conquistamos. É uma celebração”, completa Thais.
Para elas, ver mulheres na corrida é motivo de orgulho. “Para nós é uma conquista muito grande porque todo mundo acha bonito correr, mas para as mulheres, que precisam cuidar da casa, filhos, marido, trabalho e ainda evoluir no esporte, conseguir treinar todos os dias, aumentar a quilometragem, é uma vitória enorme”, destaca Islaine.
Enquanto Islaine e Thais participam pela primeira vez, Wantuil do Carmo Osório, 73 anos, de Santo André (SP), chega à 25ª participação na São Silvestre. Ele é um dos 5,5 mil corredores com mais de 60 anos inscritos nesta edição.
“Esse é um hobby. Comecei a correr há 25 anos. Corri a primeira, gostei e não parei mais. Aqui é festa, alegria total”, afirmou. “É muito bacana ver a evolução da prova. A gente motiva outras pessoas. O número de inscritos só aumenta, fico até emocionado.”
Após tantas edições, Wantuil já está habituado ao percurso e não se preocupa com as dificuldades. “Como já estou acostumado, não tenho tanta dificuldade”, conclui.

