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Aos 15 anos, Claudia Raia relata prisão com 19 amigos gays na Argentina
Atriz afirmou que sua mãe interveio para ajudá-la a deixar a delegacia
A atriz Claudia Raia relatou ter sido detida aos 15 anos na Argentina, em 1982, durante uma operação policial que, segundo sua lembrança, tinha como alvo homens gays. A artista contou que estava acompanhada de 19 amigos e que ficou preocupada com o destino deles após ser levada à delegacia.
O relato foi feito durante uma participação no programa Ambulatório da M.O.D.A., apresentado por Gabb e com estreia prevista para esta quinta-feira (15). Aos 59 anos, Claudia contou que, embora tenha deixado a delegacia no mesmo dia, a ocorrência teria permanecido registrada pelas autoridades argentinas. Segundo ela, seus documentos ainda passam por análise relacionada ao episódio quando chega ao país.
Na época, a atriz trabalhava no espetáculo musical Sexcitante, ao lado da apresentadora argentina Susana Giménez. Em uma das noites, ela estava em um restaurante com integrantes do grupo quando policiais entraram no estabelecimento e começaram a abordar as pessoas presentes.
Um dos amigos tentou orientá-la a não falar em espanhol, na expectativa de que sua nacionalidade brasileira evitasse problemas. No entanto, a imagem de Claudia estava estampada na divulgação da peça em um teatro próximo, o que facilitou sua identificação.
Relato de repressão durante a ditadura
Segundo a atriz, o episódio aconteceu durante a Guerra das Malvinas, em 1982, quando a Argentina vivia sob uma ditadura militar. Ela descreveu um ambiente de perseguição contra pessoas LGBTQIA+ e contou que veículos escuros usados em operações de averiguação circulavam pela cidade à procura de pessoas consideradas suspeitas.
De acordo com sua lembrança, homens identificados pelos policiais como gays corriam o risco de serem detidos e agredidos.
“Fui presa já na Argentina. Teve um momento, na Guerra das Malvinas, que os gays eram proibidos de existir”, afirmou.
Ao recordar a abordagem, Claudia também questionou os critérios usados pelos agentes para identificar possíveis alvos.
“Quem eles achavam que era gay, levavam e batiam. Como você julga uma pessoa andando na rua?”, declarou.
A atriz disse que sua principal preocupação, durante a detenção, era o que aconteceria com os amigos que a acompanhavam. Segundo ela, os 19 homens não foram liberados no mesmo dia.
“Me levaram e foi uma loucura. Eu e 19 gays. Estava preocupadíssima com meus amiguinhos gays”, recordou.
Claudia contou que conseguiu deixar a delegacia após a intervenção da mãe, Odette Motta Raia, que estava no apartamento onde as duas se hospedavam. A artista também criticou o fato de ter sido detida ainda adolescente e afirmou que sua idade deveria ter impedido a abordagem policial.
