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Golpe usa voz de Fernanda Montenegro para vender remédio milagroso
A atriz afirmou que descobriu o conteúdo ao acessar o celular e classificou o uso não autorizado de sua voz como um crime
A atriz Fernanda Montenegro, de 96 anos, denunciou nesta segunda-feira (13) o uso indevido de sua voz em uma propaganda falsa que promovia um medicamento com promessas de cura para doenças como Alzheimer. A manifestação foi publicada em suas redes sociais, onde a artista afirmou que o material foi produzido sem qualquer autorização.
Segundo Fernanda Montenegro, ela tomou conhecimento da fraude ao utilizar o próprio celular. Em um áudio divulgado nas redes sociais, a atriz repudiou o uso de sua identidade e classificou a prática como criminosa.
"Quero denunciar aqui o uso do meu nome, da minha pessoa, na propaganda de um remédio para idosos. Remédio esse que cura até Alzheimer. Sou usada como locutora e usuária. Só vi essa invasão na minha pessoa quando usei o meu celular. O uso invasor dessa dimensão na vida de um ser humano é um crime".
O caso reforça uma prática que tem se tornado cada vez mais frequente com o avanço das ferramentas de inteligência artificial. Recursos capazes de reproduzir vozes e imagens de forma realista vêm sendo utilizados para criar anúncios falsos que exploram a credibilidade de pessoas conhecidas na tentativa de convencer consumidores.
Fernanda não é a única personalidade afetada por esse tipo de fraude. O médico Dráuzio Varella, a apresentadora Ana Maria Braga e a atriz Glória Pires também tiveram suas imagens ou vozes utilizadas indevidamente em campanhas enganosas.
Em 2024, Dráuzio Varella levou o caso ao Ministério Público de São Paulo após identificar vídeos que promoviam medicamentos utilizando sua imagem sem autorização. Na ocasião, o médico afirmou que chegou a denunciar os anúncios às plataformas digitais responsáveis pela divulgação, mas relatou que não obteve retorno.
Além de violar direitos de imagem e personalidade, esse tipo de conteúdo representa um risco à saúde pública. Muitos dos produtos anunciados não possuem registro na Anvisa e são divulgados com promessas de efeitos milagrosos, o que pode induzir consumidores ao erro e comprometer tratamentos médicos adequados.
