Eleições 2026
Lenilda Luna defende estatização, desmilitarização da polícia e concursos
Candidata da UP também propôs retorno da Casal, empresa pública de transporte e concursos
A candidata ao governo de Alagoas Lenilda Luna (UP) apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual durante entrevista à Central das Eleições Gazeta, nesta terça-feira (2). Entre as principais ideias defendidas por ela estão a adoção do socialismo como modelo de governo, a estatização de serviços essenciais e a desmilitarização das polícias.
Conduzida pelo jornalista Wyderlan Araújo, a entrevista teve duração de 30 minutos e foi exibida em plataforma multimídia pelos veículos da Organização Arnon de Mello (OAM). Ao falar sobre seu programa de governo, Lenilda afirmou que a proposta da Unidade Popular (UP) tem como base a representação dos trabalhadores e a organização popular para a conquista de direitos previstos na Constituição.
A candidata também criticou a cláusula de barreira, estabelecida em 2017. Como a UP não possui representação no Congresso Nacional, a legenda não participa do guia eleitoral nem das inserções no rádio e na televisão. Para Lenilda, a regra limita o espaço de partidos menores para apresentar propostas aos eleitores.
ECONOMIA E ESTATIZAÇÃO
Na área econômica, Lenilda fez críticas ao sistema capitalista e citou como exemplos a atuação da Braskem e a exploração mineral em Alagoas. Como alternativa, defendeu a planificação da economia, com organização das atividades produtivas a partir das necessidades da população e não prioritariamente pela busca de lucro.
Segundo a candidata, o planejamento econômico também deveria considerar questões climáticas e contar com a participação de diferentes setores da sociedade. Ela propôs ainda a criação de indústrias estatais, políticas de Estado com duração superior a um mandato e um orçamento direcionado às necessidades da população.
A estatização também foi apresentada como proposta para setores considerados essenciais, como saneamento, moradia, educação e saúde. Lenilda defendeu que esses serviços sejam administrados pelo Estado com planejamento e participação social.
ÁGUA E SANEAMENTO
Para o saneamento, a candidata propôs anular o contrato com a BRK e devolver à Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) a responsabilidade pela distribuição de água. Lenilda criticou a privatização dos serviços e a forma como ocorreu a concessão na Grande Maceió.
Ela afirmou que a população deveria ter sido consultada sobre a transferência por meio de um plebiscito e argumentou que parte dos moradores não teria condições de arcar com as contas de água.
Ao abordar o sistema financeiro, Lenilda citou o antigo Produban e defendeu a criação de um banco público de desenvolvimento para auxiliar a população. Também questionou a situação das dívidas de usineiros, comparando os mecanismos de recuperação financeira concedidos a empresários com as consequências enfrentadas por consumidores inadimplentes em serviços básicos.
TRANSPORTE PÚBLICO
Na mobilidade urbana, Lenilda defendeu a criação de uma empresa pública de transporte. Ela lembrou que Maceió já teve uma companhia estatal do setor antes da privatização.
A proposta, segundo a candidata, poderia ser ampliada para outros municípios. Ela também defendeu mecanismos de participação popular na administração do serviço, com canais para que usuários contribuam nas decisões relacionadas ao transporte.
TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO
Lenilda se posicionou contra o trabalho análogo à escravidão e afirmou que a prática não deve ser normalizada. Para ela, trabalhadores submetidos a essas condições ficam privados de direitos, horários definidos e indenização pelo período trabalhado.
A candidata defendeu que proprietários de terras que submetam trabalhadores a esse tipo de situação percam as propriedades, que seriam destinadas à reforma agrária.
“Ninguém pode escravizar o trabalho de ninguém”, afirmou.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
Na educação estadual, a candidata propôs climatizar todas as salas de aula e universalizar o acesso à internet. Antes da implementação das medidas, ela defendeu a realização de um diagnóstico da rede para identificar as necessidades de cada unidade.
Para a saúde, Lenilda propôs ampliar a estrutura das unidades, capacitar trabalhadores e adotar medidas para reduzir a exaustão dos profissionais. Ela também defendeu um levantamento das condições da rede estadual.
Outra proposta é suspender contratos com organizações sociais e fundações privadas que atuam na gestão de equipamentos de saúde. Segundo Lenilda, os profissionais poderiam ser incorporados à estrutura pública por meio de concursos. A candidata também criticou desvios de recursos e casos de corrupção no setor.
SEGURANÇA PÚBLICA
Ao tratar da segurança, Lenilda mencionou o caso do estudante Davi Silva e o processo envolvendo policiais condenados pelo desaparecimento dele. O julgamento de um recurso estava previsto para esta terça-feira (2), mas o Tribunal de Justiça informou, no início da manhã, que o processo havia sido retirado de pauta.
A candidata defendeu mudanças na estrutura e na formação das polícias e afirmou ser contrária à naturalização da violência policial. Entre as propostas apresentadas está a desmilitarização das polícias e a adoção de um modelo de segurança que classificou como mais cidadão.
Lenilda também afirmou que pretende discutir mudanças na formação policial com os próprios agentes e defendeu que o debate sobre a desmilitarização seja ampliado para o âmbito nacional.
CONCURSOS PÚBLICOS
Sobre a contratação de servidores, Lenilda defendeu a realização de concursos públicos e criticou as limitações impostas pelo arcabouço fiscal. A candidata também questionou a destinação de parte significativa do orçamento brasileiro para despesas financeiras e defendeu que os recursos públicos sejam direcionados prioritariamente às necessidades da população.
