Eleições 2026

'Quero fazer uma revolução tecnológica nesse país', diz Lula ao citar terras raras

Entre os destaques da entrevista, Lula mencionou a relevância estratégica das terras raras, minerais fundamentais para tecnologias avançadas e alvo de disputas geopolíticas globais

Por Sputnik Brasil com Redação 28/08/2026 05h05
'Quero fazer uma revolução tecnológica nesse país', diz Lula ao citar terras raras
Foto: © Foto / Reprodução / TV Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, participou de uma sabatina na TV Globo nesta quinta-feira (27), abordando temas como investigações envolvendo seu filho Lulinha, o escândalo do INSS e propostas para um eventual quarto mandato.

Entre os destaques da entrevista, Lula mencionou a relevância estratégica das terras raras, minerais fundamentais para tecnologias avançadas e alvo de disputas geopolíticas globais. O Brasil, segundo ele, possui a segunda maior reserva mundial desses recursos. Lula afirmou que, se reeleito, pretende investir em tecnologia para transformar essas riquezas em desenvolvimento nacional.

"Sabe o que eu quero para o próximo mandato? Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país, quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. Temos que apostar em uma inteligência artificial com linguagem portuguesa, quero tentar fazer uma reforma para que a gente tenha a nossa defesa tomando conta dos oito milhões e meio de metros quadrados que estão totalmente abandonados. E nós estamos vendo que temos, depois da China, possivelmente o país com mais minerais críticos e terras raras", declarou Lula.

O presidente defendeu a regulação do setor para evitar que o Brasil continue apenas exportando matéria-prima, como ocorre com o minério de ferro e outras commodities. Ele citou reuniões com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para aprovar a legislação do setor antes das eleições.

"Vamos aprovar a regulação para que a gente não permita que nossas riquezas sejam vendidas. Se a gente souber extrair, transformar e produzir o material, podemos fazer bateria, chip, celular, tudo aqui dentro do Brasil. A gente vai estar criando um passaporte para dar oportunidade para a juventude brasileira ter orgulho de que no seu país ela vai ter condições de estudar, trabalhar e ganhar a vida", acrescentou Lula.

Investigações contra Lulinha e caso Master

Lula foi questionado sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, suspeito de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. O presidente afirmou que as suspeitas se baseiam em "ilações tiradas de telefonemas" e reforçou que não há acusações ou provas concretas. Ainda assim, garantiu que não interferirá no andamento das investigações.

"Eu não sou Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz, eu sou o presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que teria cometido um crime. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal e nem fazer qualquer movimento para que meu filho não responda se ele tiver erro, como outros já fizeram. Ele sabe o que eu passei [quando foi condenado e preso na Lava Jato], que a Marisa [mãe de Lulinha] morreu por conta da falsa acusação que foi feita na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro. Estou muito tranquilo", afirmou.

Lula também comentou sobre o ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou o cargo após investigações apontarem recebimento de pagamentos da empresária Roberta Luchsinger. O presidente reconheceu que a situação gera suspeitas, mas destacou que não há provas de envolvimento de dinheiro público. "O caminho é um só, da apuração e investigação e, depois, da inocência ou condenação", disse.

Sobre o escândalo do INSS, que envolveu fraudes superiores a R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024, afetando mais de quatro milhões de beneficiários, Lula ressaltou que o caso foi descoberto em sua gestão. Segundo ele, todo o dinheiro descontado indevidamente já foi devolvido e os cofres públicos estão sendo ressarcidos por meio dos bens apreendidos da organização criminosa. "A CGU [Controladoria-Geral da União] trabalhou com muita seriedade para investigar e levou dois anos [...]. E é assim que funciona a realidade, não tem outro jeito", comentou.

Lula ainda citou o caso do PowerPoint, sem detalhar se se referia ao gráfico exibido pela GloboNews que sugeria ligação entre ele e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. "Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim", afirmou.

Questionado sobre o senador Jaques Wagner (PT), que deixou a liderança do governo após investigações da PF apontarem possível ligação com Augusto Lima, ex-sócio do Master, Lula disse que a relação ocorreu antes da aquisição de parte do banco. "Até agora não está provado que o Wagner tem relação com o Banco Master. O que eu não posso admitir para mim e aceitar é que eu possa fazer política vivendo de ilações todo santo dia", concluiu.

Contas públicas e ajuste fiscal

Lula também abordou a trajetória da dívida pública, que ultrapassou R$ 10 trilhões e representa cerca de 82% do PIB. Ele contestou críticas sobre responsabilidade fiscal, lembrando que seus primeiros mandatos registraram superávit primário por oito anos. Para o presidente, o crescimento econômico é fundamental para reduzir o peso da dívida.

Lula atribuiu parte do aumento da dívida aos juros elevados e afirmou ter herdado, em 2023, um déficit fiscal de 2,8%. Segundo ele, o governo deve encerrar o ano com resultado primário positivo, defendendo que responsabilidade fiscal deve estar atrelada à capacidade de crescimento e investimento do país.

Ao ser questionado sobre as estatais, especialmente os Correios, que acumulam prejuízos bilionários, Lula reconheceu a necessidade de mudanças. Apontou que a empresa não se adaptou ao novo cenário do mercado de entregas, mas destacou a importância dos Correios para o Brasil e prometeu não privatizar a estatal caso reeleito.

"Os Correios são uma empresa muito importante para o Brasil, porque está em todos os municípios brasileiros. Obviamente que não se adaptou ao novo tempo, surgiram muitas empresas de fazer entregas e os Correios ficaram na mesmice. Mas estamos com uma nova administração que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário", afirmou Lula.

No encerramento, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério específico, após a definição das atribuições da União, estados e municípios no combate ao crime organizado. Lula destacou a necessidade de ampliar o uso de inteligência e integração das forças policiais, além de reforçar o combate ao narcotráfico nas fronteiras.

Segundo o presidente, o objetivo é "recuperar o território do povo", enfrentando tanto o crime nas ruas quanto as organizações criminosas que atuam no sistema financeiro.

Por Sputinik Brasil