Eleições 2026

Neutralidade de União Brasil, PP e Republicanos isola Flávio Bolsonaro

e Republicanos optam por neutralidade, enfraquecendo Flávio Bolsonaro, segundo lideranças partidárias. O movimento envolve articulações de Davi Alcolumbre, Hugo Motta e Arthur Lira, além do desgaste causado pelo caso 'Dark Horse'

Por Sputnik Brasil com Redação 17/08/2026 07h07
Neutralidade de União Brasil, PP e Republicanos isola Flávio Bolsonaro
Foto: © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Lula intensificou a aproximação com a cúpula do Congresso Nacional enquanto União Brasil, PP e Republicanos optam por neutralidade, enfraquecendo Flávio Bolsonaro, segundo lideranças partidárias. O movimento envolve articulações de Davi Alcolumbre, Hugo Motta e Arthur Lira, além do desgaste causado pelo caso 'Dark Horse' e cálculos sobre o comando do Legislativo em 2027.

A reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do Congresso ganhou força nas últimas semanas, após um período de tensões e avanços intermitentes.

Lula se reuniu três vezes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), recebeu apoio público do presidente do Congresso, Hugo Motta (Republicanos), e acompanhou movimentos decisivos de líderes do PP e do União Brasil para esvaziar a coligação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contava com esses partidos para sustentar sua campanha presidencial.

União Brasil, PP e Republicanos adotaram postura de neutralidade nacional — inclusive em estados estratégicos como Rio de Janeiro e Minas Gerais — após articulações que envolveram tanto conversas diretas com Lula quanto negociações conduzidas por intermediários, como o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho. Segundo apuração de um jornal de grande circulação, a avaliação predominante entre esses caciques é que Lula lidera o cenário eleitoral e pode garantir acordos para manter aliados no comando do Congresso em 2027.

O caso 'Dark Horse', filme que Flávio produzia em homenagem ao pai, Jair Bolsonaro, agravou o desgaste do senador no Centrão. A denúncia de que o candidato do PL teria pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme pró-Bolsonaro acendeu alertas entre dirigentes, especialmente porque o senador Ciro Nogueira (PP-PI) já havia sido alvo de operação ligada ao mesmo empresário. Desde então, Flávio tenta se afastar do tema e evita se engajar na campanha nacional do PL.

Arthur Lira (PP-AL) também se distanciou de Flávio. Embora citado pelo candidato como aliado, o ex-presidente da Câmara não retribuiu o gesto e, segundo integrantes do partido, atuou para impedir que Tereza Cristina (PP-MS) fosse vice na chapa do PL. Lira teria sido um dos principais articuladores da neutralidade da federação União-PP, ao mesmo tempo em que mantém pontes com o governo Lula e alianças locais com o PL em Alagoas, aponta a apuração.

A relação entre Flávio e Alcolumbre também se deteriorou. O PL planeja disputar o comando do Senado e ameaça pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que confronta diretamente o atual presidente da Casa, que busca apoio de Lula para se reeleger. Bolsonaristas cogitam lançar Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina contra Alcolumbre, que mantém diálogo próximo com ministros do Supremo e resiste a pautar pedidos de afastamento.

Apesar de não declarar voto em Lula, Alcolumbre fechou alianças com o PT no Amapá e ajudou a destravar pautas de interesse do governo após reuniões com o presidente.

A reaproximação ocorreu após a crise provocada pela rejeição de Jorge Messias ao STF, que paralisou votações importantes, como PECs trabalhistas e de segurança, além do projeto sobre minerais críticos. Com o diálogo restabelecido, essas matérias voltaram a avançar nas comissões.

Hugo Motta, por sua vez, assumiu posição mais explícita. Declarou apoio público a Lula, articulou a neutralidade no Republicanos e contrariou Flávio mesmo após reunião do candidato com o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP). Motta busca se reeleger deputado, eleger o pai ao Senado e manter o comando da Câmara em 2027, contando com a popularidade de Lula na Paraíba e com o apoio institucional do governo caso o petista seja reeleito.

A percepção de que o Centrão se aproxima de Lula foi reforçada por declarações de Gilberto Kassab (PSD), que afirmou a empresários que Flávio "não tem a menor chance" e que o bloco está com o petista. Flávio reagiu nas redes sociais, mas sua campanha tenta minimizar o movimento, alegando que, em caso de vitória, líderes como Alcolumbre e Motta tenderiam naturalmente a se reaproximar do PL.

Mesmo assim, aliados de Flávio reconheceram ao jornal que Alcolumbre deve manter postura mais cautelosa que Motta e avaliam que sua proximidade com o governo decorre do diálogo institucional e não de alinhamento eleitoral, já que ele não precisa renovar mandato nem promover parentes.

O conjunto de movimentos no Congresso indica que Lula conseguiu reconstruir pontes estratégicas e reduzir o espaço político de Flávio Bolsonaro às vésperas da eleição, conclui a imprensa.

Por Sputinik Brasil