Economia

Copom deve reduzir Selic pela sexta vez consecutiva nesta quarta-feira

Mercado projeta queda de 13,75% para 13,5% ao ano, mas inflação, dólar e pressão sobre os preços podem influenciar decisão

Por Agência Brasil com Redação 04/11/2026 15h03
Copom deve reduzir Selic pela sexta vez consecutiva nesta quarta-feira
Banco Central - Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anuncia nesta quarta-feira (4) a decisão sobre a Taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A expectativa dos analistas de mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria os juros básicos da economia para 13,5% ao ano. Caso se confirme, será a sexta redução consecutiva.

A projeção consta no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras. Apesar da expectativa de redução nesta reunião, o mercado passou a apostar na manutenção da taxa em 13,5% em dezembro, diferentemente das previsões anteriores, que indicavam a possibilidade de outro corte.

A decisão será divulgada no início da noite. O encontro ocorre em meio à instabilidade cambial e a fatores que pressionam a inflação, como a alta do petróleo, o aumento dos gastos públicos e a possibilidade de elevação dos preços dos alimentos nos próximos meses, influenciada pelo fenômeno El Niño.

A reunião também acontece com dois cargos da diretoria do Banco Central vagos. Os mandatos dos ex-diretores Renato Gomes, de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para substituí-los.

Na ata do encontro de setembro, o Copom havia reafirmado a cautela na condução da política monetária diante da pressão da demanda sobre a inflação.

Inflação


Embora tenha apresentado alta em setembro, a inflação mostrou desaceleração em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou variação de 0,32% no mês, metade do resultado anterior.

No acumulado de 12 meses, porém, o indicador avançou de 4,5% para 4,62%, permanecendo acima do limite máximo da meta de inflação, estabelecida em 4,5%.

O boletim Focus também elevou a estimativa de inflação para este ano, de 5,19% para 5,22%. A revisão considera fatores como o conflito no Oriente Médio e a recente valorização do dólar.

A meta contínua de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o intervalo permitido varia de 1,5% a 4,5%.

Efeito nos juros


A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Quando a taxa aumenta, o objetivo é desacelerar o consumo e a demanda, encarecendo o crédito e estimulando a poupança. Por outro lado, juros elevados podem dificultar investimentos e limitar o crescimento econômico.

Já a redução da Selic tende a baratear o crédito, favorecer a produção e estimular o consumo. No entanto, também diminui a pressão de contenção sobre a inflação.

O Copom realiza reuniões a cada 45 dias. No primeiro dia, os integrantes analisam informações sobre as economias brasileira e internacional e o comportamento do mercado financeiro. No segundo, a diretoria do Banco Central avalia o cenário e define a taxa básica de juros.

Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação, no qual o cumprimento do objetivo é acompanhado mensalmente, com base no índice acumulado em 12 meses, em vez de ficar restrito ao resultado fechado de dezembro.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro, o Banco Central manteve em 5,2% a previsão de inflação para este ano. A instituição, entretanto, poderá revisar a estimativa caso a valorização do dólar persista. A próxima edição do documento está prevista para o fim de dezembro.