Economia

CUT celebra fim da escala 6x1; CNI pede revisão da PEC aprovada

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a PEC um “retrocesso” para o Brasil

Por Agência Brasil com Redação 15/10/2026 12h12
CUT celebra fim da escala 6x1; CNI pede revisão da PEC aprovada

Enquanto sindicatos de trabalhadores comemoram o fim da escala 6x1, entidades empresariais lamentam a abolição da jornada e cobram do Congresso Nacional a revisão da proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada na noite desta quarta-feira (14).

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) saudou o fim da “massacrante escala 6x1” e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais como uma vitória “maiúscula da luta, do suor e da organização da classe trabalhadora brasileira”.

“[A aprovação] marca um divisor de águas na superação de um modelo arcaico e cruel que suga as energias de quem realmente trabalha e produz a riqueza desta nação”, afirmou a entidade, em nota.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a PEC um “retrocesso” para o Brasil, que já enfrenta baixa produtividade e falta de competitividade.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, solicitou que o Congresso revise a aprovação da PEC 221/2019 “após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária”.

“Acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, disse o representante.

Também por meio de nota, a Força Sindical destacou que o “diálogo democrático” com todos os segmentos da sociedade possibilitou a aprovação da PEC do fim da 6x1.

“A medida beneficiará milhões de pessoas pelo país, que poderão contar com mais tempo para cuidados com a saúde, convivência com a família, formação, lazer, ou seja, para usufruir como melhor lhes convém”, escreveu Miguel Torres, presidente da Força Sindical.

Torres acrescentou que estudos e experiências internacionais demonstram que a redução da jornada tende a elevar a produtividade, qualificar o tempo de trabalho e gerar novos postos de emprego.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representante das empresas, lamentou a discussão do tema “em pleno período eleitoral”.

“Mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo”, afirmou a entidade patronal em nota.

A CNI calcula que a redução da jornada pode elevar os custos de produção em até R$ 267 bilhões, provocar uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e gerar inflação média de 6,2%.

Estudos divergem sobre os impactos do fim da escala 6x1 no PIB e na inflação. Enquanto algumas pesquisas apontam efeitos negativos mais amplos, outras indicam prejuízo residual.

Levantamento do Ipea estima que a redução da jornada terá impacto de 1% no custo total das empresas nos setores de comércio e indústria, podendo chegar a 6,6% nos ramos de vigilância e segurança.

Aprovação

O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC do fim da 6x1 na noite de ontem, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.

A oposição, inicialmente contrária à proposta, mudou de posição após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema em plenário.

Em entrevista à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar a PEC 12/2026, que prevê um contrato “por hora trabalhada”.

Entenda a PEC

O texto da PEC que extingue a 6x1 prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, com jornada máxima de 5x2, sem redução salarial, e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.