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Via Láctea abriga duas grandes famílias de sistemas planetários

O estudo, liderado pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), analisou os 300 sistemas multiplanetários mais bem compreendidos entre os mais de mil já descobertos na galáxia

Por Sputnik Brasil 15/10/2026 12h12 - Atualizado em 15/10/2026 12h12
Via Láctea abriga duas grandes famílias de sistemas planetários
Foto: © Foto / Robert Lea (criado com o Canva)

Uma pesquisa com 300 sistemas planetários da Via Láctea identificou duas grandes famílias de mundos e revelou que as características das estrelas hospedeiras influenciam diretamente a evolução e o destino desses sistemas. Segundo os cientistas, essa "ligação genética" pode ser fundamental para orientar a busca por planetas potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.

O estudo, liderado pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), analisou os 300 sistemas multiplanetários mais bem compreendidos entre os mais de mil já descobertos na galáxia. Os resultados sugerem que o tipo de estrela em torno da qual os planetas se formam desempenha papel decisivo na evolução de seus sistemas planetários.

Segundo os pesquisadores, compreender essa relação é importante para identificar quais sistemas têm maior potencial de abrigar mundos semelhantes à Terra, contribuindo para a busca por vida fora do Sistema Solar.

Uma ilustração mostra duas famílias de sistemas planetários evoluindo a partir de estrelas diferentes
Uma ilustração mostra duas famílias de sistemas planetários evoluindo a partir de estrelas diferentes

O objetivo da equipe foi responder se as características observadas hoje nos sistemas planetários são determinadas já no nascimento ou resultam de processos evolutivos posteriores. A conclusão é que ambos os fatores são relevantes, estabelecendo uma espécie de "ligação genética" entre as estrelas e os sistemas que se formam ao seu redor.

A primeira família identificada reúne sistemas amplos e massivos, cuja massa total costuma variar entre duas e dez vezes a do Sistema Solar. Esses planetas orbitam estrelas mais massivas que o Sol e com menor quantidade de elementos pesados, conhecidos como metais.

A segunda família é composta por sistemas menores e compactos, onde os planetas apresentam massas e tamanhos semelhantes entre si, em uma configuração apelidada de "ervilhas na vagem". Esses sistemas orbitam estrelas com massa e metalicidade iguais ou inferiores às do Sol.

Para diferenciar os grupos, os pesquisadores analisaram o desvio das órbitas planetárias em relação às trajetórias circulares perfeitas, um indicador que pode revelar episódios de instabilidade gravitacional, como colisões gigantes e até a expulsão de planetas do sistema.

O estudo constatou que eventos violentos são comuns nos sistemas amplos e massivos, mas muito mais raros nos sistemas compactos. Pequenas diferenças nas propriedades das estrelas hospedeiras podem influenciar não apenas a formação inicial dos planetas, mas também o nível de turbulência enfrentado pelo sistema ao longo do tempo.

Após testar os resultados com simulações computacionais, a equipe concluiu que muitos dos sistemas mais massivos já nascem instáveis. A grande quantidade de material disponível para formação planetária gera mundos grandes demais para manter um equilíbrio duradouro, reforçando a ideia de que o destino de um sistema planetário está intimamente ligado às características da estrela que o originou.