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Via Láctea abriga duas grandes famílias de sistemas planetários
O estudo, liderado pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), analisou os 300 sistemas multiplanetários mais bem compreendidos entre os mais de mil já descobertos na galáxia
Uma pesquisa com 300 sistemas planetários da Via Láctea identificou duas grandes famílias de mundos e revelou que as características das estrelas hospedeiras influenciam diretamente a evolução e o destino desses sistemas. Segundo os cientistas, essa "ligação genética" pode ser fundamental para orientar a busca por planetas potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.
O estudo, liderado pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), analisou os 300 sistemas multiplanetários mais bem compreendidos entre os mais de mil já descobertos na galáxia. Os resultados sugerem que o tipo de estrela em torno da qual os planetas se formam desempenha papel decisivo na evolução de seus sistemas planetários.
Segundo os pesquisadores, compreender essa relação é importante para identificar quais sistemas têm maior potencial de abrigar mundos semelhantes à Terra, contribuindo para a busca por vida fora do Sistema Solar.

O objetivo da equipe foi responder se as características observadas hoje nos sistemas planetários são determinadas já no nascimento ou resultam de processos evolutivos posteriores. A conclusão é que ambos os fatores são relevantes, estabelecendo uma espécie de "ligação genética" entre as estrelas e os sistemas que se formam ao seu redor.
A primeira família identificada reúne sistemas amplos e massivos, cuja massa total costuma variar entre duas e dez vezes a do Sistema Solar. Esses planetas orbitam estrelas mais massivas que o Sol e com menor quantidade de elementos pesados, conhecidos como metais.
A segunda família é composta por sistemas menores e compactos, onde os planetas apresentam massas e tamanhos semelhantes entre si, em uma configuração apelidada de "ervilhas na vagem". Esses sistemas orbitam estrelas com massa e metalicidade iguais ou inferiores às do Sol.
Para diferenciar os grupos, os pesquisadores analisaram o desvio das órbitas planetárias em relação às trajetórias circulares perfeitas, um indicador que pode revelar episódios de instabilidade gravitacional, como colisões gigantes e até a expulsão de planetas do sistema.
O estudo constatou que eventos violentos são comuns nos sistemas amplos e massivos, mas muito mais raros nos sistemas compactos. Pequenas diferenças nas propriedades das estrelas hospedeiras podem influenciar não apenas a formação inicial dos planetas, mas também o nível de turbulência enfrentado pelo sistema ao longo do tempo.
Após testar os resultados com simulações computacionais, a equipe concluiu que muitos dos sistemas mais massivos já nascem instáveis. A grande quantidade de material disponível para formação planetária gera mundos grandes demais para manter um equilíbrio duradouro, reforçando a ideia de que o destino de um sistema planetário está intimamente ligado às características da estrela que o originou.
