Economia

Aline Rodrigues: é falso dizer que beneficiário do bolsa não quer trabalhar

Aline defende que os programas de transferência de renda cumprem um papel de reparação social e ajudam famílias a superar situações de pobreza

Por Blog Edivaldo Junior 17/09/2026 08h08
Aline Rodrigues: é falso dizer que beneficiário do bolsa não quer trabalhar
Aline Rodrigues participa do Fala, Líder - Foto: Reprodução /Youtube

A ideia de que quem recebe benefício social não quer trabalhar não corresponde à realidade. A avaliação é de Aline Rodrigues dos Santos, ex-secretária de Estado e candidata a deputada estadual, em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.

Assistente social e com mais de duas décadas de atuação no serviço público, Aline defende que os programas de transferência de renda cumprem um papel de reparação social e ajudam famílias a superar situações de pobreza que muitas vezes atravessam gerações.

“As pessoas querem trabalhar, querem ter sua renda, querem levar alimentação para dentro de casa e querem não depender mais de programas sociais”, afirmou.

Segundo Aline, o senso comum costuma tratar benefícios como o Bolsa Família apenas como transferência de dinheiro, sem considerar as exigências associadas ao programa.

Ela lembra que as famílias precisam manter as crianças na escola, acompanhar vacinação e cumprir outras condições que ajudam a melhorar os indicadores de educação e saúde.

“O Bolsa Família não é uma entrega de renda por si só, ele tem exigências”, disse.

Aline também relaciona os programas sociais ao aumento da escolaridade e à possibilidade de as próprias famílias deixarem de depender dos benefícios no futuro.

Na avaliação dela, políticas de renda, educação e assistência funcionam de forma integrada. À medida que crianças permanecem na escola e jovens conseguem chegar ao ensino superior ou ao mercado de trabalho, cresce também a possibilidade de aumento da renda familiar.

Ela afirma que a saída de beneficiários dos programas é parte natural desse processo e rejeita a ideia de que exista interesse generalizado em permanecer indefinidamente dependente do poder público.

Aline também fez uma comparação com situações de trabalho informal ou mal remunerado. Segundo ela, muitas vezes a crítica ao programa social parte de quem espera contratar trabalhadores por valores muito baixos e em jornadas extensas.

Para a ex-secretária, o debate precisa considerar o custo real de vida das famílias.

Ela citou como exemplo o valor pago a famílias unipessoais e lembrou que, em muitos casos, o recurso sequer é suficiente para cobrir despesas básicas de alimentação durante o mês.

Aline passou grande parte da carreira na área da assistência social e acompanhou, desde o início dos anos 2000, a implantação e expansão de políticas como Cadastro Único, Bolsa Família, programas de combate ao trabalho infantil e, mais recentemente, o Cartão Cria.

Na avaliação dela, esse conjunto de políticas ajudou Alagoas a melhorar indicadores sociais ao longo das últimas décadas, especialmente entre crianças e famílias em situação de maior vulnerabilidade.

Para Aline Rodrigues, o desafio agora é menos discutir se os programas sociais devem existir e mais garantir que eles funcionem como porta de saída da pobreza, com educação, saúde, qualificação e geração de renda.


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Aline Rodrigues participa do Fala, Líder. Reprodução Youtube