Economia
Comércio de Maceió supera aperto e mira recorde de vendas no fim de ano
Pesquisa da Fecomércio revela que 85% dos empresários apostam na recuperação das vendas com a chegada da Black Friday e do Natal
Enquanto a pressão de custos e a retração no fluxo de consumidores pesam sobre os pequenos negócios da capital alagoana, as grandes redes varejistas puxam o indicador de confiança do setor para cima e sustentam uma forte aposta de recuperação até o Natal.
Segundo dados apurados pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a CNC, o comércio maceioense vive um cenário de clara divisão. De um lado, as micro e pequenas empresas viram o ambiente atual de negócios se deteriorar em agosto. Do outro, estabelecimentos com mais de 50 funcionários registraram uma expressiva guinada de otimismo, saltando de 102,6 para 109,6 pontos no mesmo período.
Essa blindagem das maiores estruturas garantiu que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) geral fechasse agosto a 103,9 pontos. Embora represente uma suave desaceleração de 1,9% frente ao mês anterior, a marca mantém o varejo local no terreno positivo — faixa acima da linha dos 100 pontos.
A avaliação sobre o momento presente foi o calcanhar de Aquiles do mês. O indicador que mede as condições atuais (ICAEC) despencou 6,8%, arrastado pelo pessimismo generalizado quanto à economia: 74,4% dos entrevistados relataram piora no quadro geral.
Pela primeira vez em meses, essa instabilidade macroeconômica rompeu o escudo das pequenas lojas. A percepção negativa sobre a própria empresa caiu de 102 para 95,2 pontos, evidenciando a menor margem de manobra de quem atua com capital de giro limitado.
"A percepção de um ambiente econômico mais difícil começa a ser sentida de maneira mais direta na operação. As empresas maiores possuem maior capacidade de planejamento, diversificação das vendas e acesso a capital, fatores que ajudam a explicar essa leitura mais favorável", analisa Lucas Sorgato, assessor econômico do Instituto Fecomércio AL.
Foco nas festas
Apesar do aperto na margem diária, o varejista de Maceió se recusa a jogar a toalha para o segundo semestre. O Índice de Expectativas (IEEC) subiu para 136 pontos, com aproximadamente 85% dos comerciantes apostando que suas empresas vão performar melhor nos próximos meses. Entre os grandes estabelecimentos, o otimismo futuro atinge expressivos 172,2 pontos.
O motor dessa resiliência é o calendário de consumo que se avizinha. A partir de setembro, o setor inicia a montagem de estoques e planejamento de contratações temporárias para o ciclo mais rentável do ano, puxado por datas estratégicas como Dia das Crianças, Black Friday e Festas de Fim de Ano.
