Economia

Nova tarifa dos EUA eleva tributos para quase 4 mil produtos brasileiros

CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional

Por Agência Brasil 24/07/2026 17h05
Nova tarifa dos EUA eleva tributos para quase 4 mil produtos brasileiros
CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional - Foto: Reprodução

A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros sejam submetidos a uma tributação total de 37,5% para ingressar no mercado norte-americano, conforme levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo a entidade, a medida atinge US$ 12,4 bilhões em exportações, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do Brasil para os EUA. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24).

    O levantamento da CNI detalha como a nova tarifa de 12,5% será aplicada sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos:

    • 4.060 produtos brasileiros serão atingidos pela nova sobretaxa;
    • 3.985 produtos já estavam sujeitos à tarifa adicional de 25% e agora passarão a pagar 37,5% no total;
    • Esse grupo representa 80,7% das exportações afetadas, o equivalente a US$ 10,8 bilhões;
    • Outros 75 produtos, que somam US$ 1,6 bilhão em exportações, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem incidência da tarifa anterior.

    Impacto ampliado

    No total, a CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional imposta pelo governo norte-americano.

    As novas cobranças decorrem de investigação conduzida pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, que concluiu que Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

    Defesa do Brasil

    Na avaliação da CNI, as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) não refletem a realidade brasileira.

    A entidade ressalta que o país possui uma das legislações mais modernas para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas.

    Segundo a confederação, o arcabouço jurídico brasileiro prevê mecanismos de fiscalização, responsabilização e proteção aos trabalhadores reconhecidos internacionalmente.

    Negociação

    Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defende a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano para tentar reduzir os impactos sobre a indústria nacional.

    "É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas", destacou Alban.

    Segundo o dirigente, a entidade já mantém conversas com o governo federal e setores mais afetados para construir medidas de curto prazo.

    Investigação comercial

    A investigação conduzida pelos Estados Unidos envolveu 60 parceiros comerciais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, segundo avaliação do governo norte-americano, "não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".