Economia

Apostas online avançam no Brasil e expõem mercado clandestino

Crescimento vem acompanhado de preocupações crescentes com dependência e endividamento das famílias

Por Sputnik Brasil 07/06/2026 10h10
Apostas online avançam no Brasil e expõem mercado clandestino
Apostas online avançam no Brasil - Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil

O mercado de apostas online mantém ritmo acelerado de expansão no Brasil desde a regulamentação em 2025, impulsionado por campanhas publicitárias intensas e pela proximidade da Copa do Mundo. O crescimento, porém, vem acompanhado de preocupações crescentes com dependência, endividamento das famílias e avanço das apostas clandestinas.

De acordo com levantamento de um jornal de grande circulação, o setor apresenta alta simultânea no faturamento, arrecadação, número de jogadores e empresas, tendência que deve se intensificar com a Copa do Mundo, apesar do debate público sobre os riscos sociais e financeiros.

Dados da Receita Federal apontam que a receita das bets licenciadas dobrou nos quatro primeiros meses de 2026, mesmo com restrições a beneficiários de programas sociais e endividados. A arrecadação de impostos saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões no período, aproximando o setor das indústrias tradicionais como tabaco e agricultura.

Considerando que os tributos representam 37% da receita, as empresas movimentaram R$ 12,2 bilhões apenas no primeiro quadrimestre. Em 2025, o faturamento foi de R$ 36,9 bilhões, com forte influência de campeonatos esportivos, o que alimenta a expectativa de expansão ainda maior neste ano.

Especialistas ouvidos pela mídia atribuem o avanço à consolidação do mercado e à presença marcante das bets na publicidade. A Copa do Mundo deve adicionar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em depósitos, embora o lucro final dependa dos resultados das partidas. O modelo de negócios, segundo eles, se baseia em cálculos estatísticos que garantem vantagem às operadoras no longo prazo.

Desde o início da regulamentação, o Ministério da Fazenda emitiu 85 licenças, permitindo a operação de 187 sites. O mercado, entretanto, é concentrado: dez marcas detinham 68,8% da receita em 2025, com destaque para Betano, Bet365, SportingBet, Esportes da Sorte e Superbet. O setor também lidera os maiores patrocínios do futebol brasileiro na atualidade.

O número de apostadores chegou a 25 milhões em 2025, mas o crescimento trouxe aumento nos casos de dependência. Levantamento da Unifesp indica que 4,4% dos jogadores apresentam "jogo problemático", mais que o dobro da média global.

O gasto médio mensal por usuário foi de R$ 123, valor que reflete o saldo efetivamente perdido — ou seja, o total apostado menos as premiações recebidas —, evidenciando o impacto financeiro em um universo de 25 milhões de jogadores, muitos com múltiplas contas em diferentes plataformas.

Empresas do setor já preveem desaceleração do ritmo de expansão e um movimento de consolidação, com a saída ou aquisição de operadores menores.

A expansão das bets ocorre em meio a críticas de entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que relacionam o recorde de endividamento das famílias ao avanço das apostas. Representantes do setor, por sua vez, argumentam que o problema financeiro também afeta as bets, reduzindo o poder de aposta dos consumidores.

A clandestinidade é outro tema central: estimativas apontam que sites ilegais representam entre 41% e 51% do mercado, movimentando até R$ 39 bilhões sem recolher impostos ou seguir regras de publicidade e autoexclusão.