Economia

Pequenos negócios do campo e do artesanato são protagonistas no Arapiraca Agroshow

Expositores transformam tradição e talento em empreendimentos competitivos com o apoio técnico do Sebrae

Por Assessoria com Redação 18/04/2026 10h10
Pequenos negócios do campo e do artesanato são protagonistas no Arapiraca Agroshow
No Arapiraca Agroshow, pequenos negócios ganham visibilidade e ampliam oportunidades de mercado - Foto: Assessoria

O mel fresco da flor de juazeiro e o brilho metálico de esculturas feitas com materiais recicláveis podem parecer universos distantes, mas no Arapiraca Agroshow eles ocupam o mesmo espaço de destaque. Até este sábado (18), o Centro de Convenções de Arapiraca sedia a feira que já nasceu como uma das maiores do segmento em Alagoas. Reunindo tecnologia e negócios, o evento serve de vitrine para vários expositores, entre eles pequenos produtores e artesãos que, sob a orientação do Sebrae, estão ajudando a evoluir a economia local.

Mais do que expor suas marcas e seus produtos, a analista do Sebrae Alagoas, Stheffany Lóz afirma que a participação no evento é um importante passo para a sustentabilidade desses negócios. “A presença do Sebrae no Arapiraca Agroshow tem impacto direto na evolução dos produtores e no fortalecimento do agro regional. Ajudamos o produtor a sair do papel de ‘apenas homem do campo’ para assumir uma visão de negócio e se posicionar como empreendedor”, afirma.

Da marcenaria para as colmeias: a trajetória da Jadapis

Um dos exemplos icônicos dessa transformação é Jadielson Henrique da Silva, o produtor por trás da Jadapis, de Igaci. Sua trajetória com a criação de abelhas começou quase por acaso, há cerca de nove anos. Em sua atividade como marceneiro, foi desafiado por um apicultor da região a construir caixilhos para as colmeias, e a necessidade de entender o funcionamento da estrutura se transformou em paixão.

Hoje, após obter o Selo de Inspeção Municipal (SIM), do Conagreste, pode comercializar o mel formalmente em mais de 20 municípios alagoanos. Desde a obtenção do licenciamento, no final de 2025, ele pode negociar de maneira legal e direta com supermercados. “Antes a gente só conseguia vender para o particular ou para o atravessador, muitas vezes com valor baixo. Mas o selo abriu portas. Hoje meu produto é valorizado e pode ser encontrado em supermercados de Arapiraca e Palmeira dos Índios”, conta.

Com o diferencial do mel produzido a partir da flor do juazeiro, com cor e sabor mais leve que o mel silvestre, o produtor conseguiu transformar o passatempo em um negócio rentável. A parceria com o Sebrae foi fundamental não só para ele aprender o manejo correto das abelhas, mas também para administrar as finanças e a gestão da marca. Com isso, ele conseguiu coletar 800 kg na última florada, fazendo com que a atividade seja a segunda fonte de renda da família.

“Poderia ter tirado mais que o dobro de mel, se não fosse a estiagem no período da floração. Mesmo assim acredito que não falta muito para se tornar a nossa renda principal. Hoje, o foco é esse”, diz o empreendedor, que utiliza as feiras, como o Agroshow, para entender melhor o comportamento do consumidor.

Do campo para o mercado: a Jadapis transforma o mel da flor do juazeiro em um negócio competitivo no Agreste

Arte que vem de berço: o “Tok de Fada” de Limoeiro de Anadia

O talento de Hellen Carla, da Tok de Fada, está no DNA. Filha do conhecido artesão de Limoeiro de Anadia, Fredy Rocha, e de uma costureira, a arte e a criatividade fizeram parte da infância e adolescência da jovem, mas foi a maternidade, em 2021, que se tornou gatilho para transformar os acessórios, até então feitos apenas para dos seus pets ou para presentear amigos, em uma marca.

As técnicas usadas evoluíram com a transformação de materiais recicláveis, como caixas de papelão e palitos, que ganham aspectos metálicos em esculturas decorativas sofisticadas. Mas para que as peças se tornassem uma fonte de renda sustentável para ela e a filha, ela precisou unir o talento inato ao conhecimento sobre gestão. “O Sebrae me abriu portas não só na exposição, mas em conhecimentos e novos ares. Aprendi técnicas de vendas e de marketing e estou conseguindo superar a timidez. Eu tinha receio de chegar para falar com as pessoas, mas hoje não tenho mais vergonha”, revela.

Para ela, a instituição funciona como uma rede de acolhimento e profissionalização. Ela percebeu que não bastava “saber fazer”, também é necessário “saber vender”. “O Sebrae também dá várias oportunidades para que a gente possa se conectar com outras pessoas, que podem se tornar clientes ou que nos ensinam porque passaram pela mesma coisa que estamos passando hoje, sem falar no aprendizado, que é algo que ninguém tira de você”, ressalta.

Criatividade que vira renda: a Tok de Fada une arte e reciclagem em peças cheias de identidade

Vitrine da diversidade e cooperativismo no Agreste

O estande do Sebrae no evento é um mosaico da economia local. Além do mel e do artesanato, o público encontra outros produtos que carregam o selo da qualidade e o esforço coletivo. Entre os expositores estão a Taverna Beer, cervejaria artesanal que integra também a Rota da Cachaça, e a MG Sandálias de Couro, que preserva a tradição calçadista em modelos como a Xô Boi, que ganham conforto e design modernizado.

O Laticínio São José, de Craíbas, a Cooperativa Agropecuária de Limoeiro de Anadia (Cooperlimo) e a Cooperativa dos Produtores Rurais do Agreste (Coopag), com sede em Arapiraca, também mostraram a sua força e demonstraram que, com uma gestão eficiente, a união de pequenos produtores podem gerar grandes resultados.

O Arapiraca Agroshow prova que, quando a agricultura familiar se une ao conhecimento técnico e ao suporte estratégico do Sebrae, a economia se fortalece. Mais do que uma vitrine, o evento se torna o lugar onde pequenos empreendedores ganham mercado, voz e futuro, mostrando que apesar da contribuição dos grandes empreendimentos, é o pequeno negócio que movimenta a economia de Alagoas e impacta diretamente a vida da população.

*Assessoria