Economia
Bancos reduzem depósitos no Fed e vendem títulos do Tesouro dos EUA
Para conter a desvalorização de suas moedas, diversos bancos centrais recorreram à venda de dólares
Os depósitos internacionais mantidos por bancos centrais no Federal Reserve (Fed) de Nova York atingiram o menor patamar desde 2012, após uma onda de vendas de títulos do Tesouro dos EUA por países que buscam proteger suas moedas e economias diante dos impactos da guerra com o Irã.
Desde 25 de fevereiro, essas reservas foram reduzidas em US$ 82 bilhões (aproximadamente R$ 430,7 bilhões), chegando a US$ 2,7 trilhões (cerca de R$ 14,18 trilhões). A queda está diretamente relacionada ao aumento dos preços da energia após o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, que elevou custos para países dependentes de petróleo importado e fortaleceu o dólar.
Para conter a desvalorização de suas moedas, diversos bancos centrais recorreram à venda de dólares — frequentemente na forma de títulos do Tesouro — para intervir nos mercados cambiais.
Especialistas ouvidos pelo Financial Times destacam que países importadores de petróleo, como Turquia, Índia e Tailândia, estão entre os principais vendedores.
A Turquia, por exemplo, reduziu em US$ 22 bilhões (mais de R$ 115,55 bilhões) suas reservas de títulos estrangeiros desde o início do conflito, sendo que parte significativa desse montante provavelmente corresponde aos títulos do Tesouro dos EUA. Índia e Tailândia também registraram queda em reservas cambiais, embora não haja clareza total sobre a composição dessas vendas.
O objetivo comum é evitar que a desvalorização cambial encareça ainda mais o petróleo em moeda local, pressionando orçamentos públicos e famílias. Analistas também apontam que países exportadores de petróleo do Oriente Médio podem estar vendendo títulos do Tesouro para compensar perdas de receita, embora representem uma fatia menor do total de detentores.
As vendas ocorrem em um momento delicado para o mercado de títulos do Tesouro, que já enfrenta pressão diante do temor de que o conflito no Oriente Médio impulsione a inflação. Para se ter uma ideia, os rendimentos dos títulos de dois e dez anos subiram significativamente, elevando os custos de financiamento para governos, empresas e consumidores.
Alguns investidores interpretam a redução das reservas como um movimento típico em períodos de dólar forte, quando bancos centrais reequilibram suas carteiras e defendem suas moedas. Outros veem sinais de que países estão "abastecendo o cofre de guerra", liquidando ativos seguros para enfrentar a volatilidade global. Ainda há a possibilidade de parte das reservas ter sido apenas transferida para outros custodiante, e não necessariamente vendida.
Apesar dessas nuances, analistas ressaltam que a tendência de longo prazo aponta para a diversificação: bancos centrais vêm reduzindo gradualmente sua exposição ao dólar, ampliando o papel de investidores privados estrangeiros no mercado de títulos norte-americano.


