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Falta de consenso político e ano eleitoral travam CPI do Banco Master

Pedido já tem assinaturas suficientes, mas instalação depende de decisão da presidência da Câmara

Por Sputnik Brasil 17/05/2026 16h04
Falta de consenso político e ano eleitoral travam CPI do Banco Master
Lideranças políticas avaliam que ano eleitoral dificulta avanço de investigação no Congresso - Foto: © Foto / Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O pedido de instalação da CPI do Banco Master segue travado na Câmara dos Deputados, mesmo após reunir assinaturas suficientes e contar com múltiplas iniciativas no Congresso. Segundo avaliação interna, falta interesse político para avançar com a comissão, enquanto o calendário eleitoral e o temor de desgaste pesam contra a sua abertura.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que o requerimento será analisado conforme o regimento interno, sem detalhar o significado da expressão. A interlocutores, Motta tem dito que precisa respeitar a ordem cronológica dos pedidos já protocolados.

O pedido de CPI foi apresentado em fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) e já possui o número necessário de assinaturas. No entanto, a instalação depende de despacho do presidente da Câmara, que ainda teria de analisar outros 15 pedidos pendentes.

Nos bastidores, parlamentares e técnicos avaliam que o argumento regimental serve para justificar a falta de interesse político na abertura da comissão. A percepção predominante é de que não há ambiente favorável para avançar com a investigação neste momento.

No Congresso, outros dois pedidos de CPMI sobre o caso foram apresentados por Carlos Jordy (PL) e por Heloísa Helena (Rede) em conjunto com Fernanda Melchionna (PSOL). Parlamentares como Lindbergh Farias (PT) e Carlos Viana (Podemos) também seguem coletando assinaturas para novas iniciativas.

O regimento prevê a instalação automática de CPMI na primeira sessão do Congresso, mas Davi Alcolumbre (União Brasil) não criou a comissão na sessão que analisou os vetos da dosimetria. Governistas falam em acordo para derrubar os vetos sem instalar a CPMI, o que Alcolumbre e a oposição negam. Lindbergh recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a criação do colegiado.

No Senado, Eduardo Girão (Novo) e Alessandro Vieira (MDB) também protocolaram pedidos de CPI. Apesar da movimentação, líderes de diferentes partidos reconhecem que não há viabilidade política para instalar qualquer comissão sobre o Banco Master neste momento.

Parlamentares citam o calendário apertado do ano eleitoral e o receio de que uma CPI possa ter efeitos imprevisíveis. Integrantes do Centrão avaliam que uma investigação desse tipo poderia atingir diversos atores do Congresso, reforçando o entendimento de que a comissão não deve avançar agora.