Cooperativismo

Inclusão financeira cresce com cooperativas no Norte e Nordeste

Estudo apresentado no 8º EBPC mostra impacto em municípios de pequeno porte entre 2016 e 2022

Por Ascom OCB 11/02/2026 10h10
Inclusão financeira cresce com cooperativas no Norte e Nordeste
Inclusão financeira cresce com cooperativas no Norte e Nordeste - Foto: Ascom OCB

O artigo Impacto das cooperativas de crédito na inclusão financeira dos municípios do Norte e Nordeste do Brasil, apresentado no 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC), mostra que a presença dessas instituições tem ampliado de forma consistente o acesso a serviços financeiros em municípios das duas regiões, especialmente os de pequeno porte, onde a bancarização ainda é limitada.

O estudo analisou cidades com até 50 mil habitantes entre 2016 e 2022 para responder a uma questão central: municípios com cooperativas apresentam níveis mais altos de inclusão financeira do que aqueles sem instituições financeiras? Segundo os autores Valéria Gama Fully Bressan, Gustavo Henrique Dias Souza e Marcelo Henrique Shinkoda, a resposta é positiva.

Os pesquisadores aplicaram o método de Pareamento por Escores de Propensão (PSM), comparando municípios com características socioeconômicas semelhantes. O impacto foi medido pelo Índice de Inclusão Financeira (IIF), que avalia acesso e uso de serviços financeiros.

Os resultados apontam efeitos positivos e estatisticamente significativos na região Norte entre 2017 e 2022. O avanço chegou a 8,14 pontos percentuais em 2018, desempenho superior ao de municípios atendidos exclusivamente por bancos. No Nordeste, os impactos também foram relevantes entre 2017 e 2021, com destaque também para 2018, quando o aumento aproximado foi de 3,91 pontos percentuais.

O estudo também identificou mudanças no mapa institucional dessas regiões. O número de municípios atendidos apenas por cooperativas dobrou no Norte, passando de 16 para 32, e cresceu de 28 para 45 no Nordeste. Já as localidades com presença exclusiva de bancos diminuíram, indicando expansão territorial do cooperativismo financeiro.

Apesar da persistência de áreas com baixos níveis de inclusão em partes do Amazonas, do Pará e em municípios nordestinos, houve melhorias localizadas, como em trechos do Amazonas e da Bahia. Em alguns casos, a coexistência de cooperativas e bancos gerou impactos ainda maiores, embora com menor intensidade após 2020.

O estudo evidencia que o cooperativismo financeiro se consolida como instrumento relevante para políticas públicas de inclusão, planejamento territorial e cidadania financeira. Dados do Banco Central reforçam esse movimento: a presença das cooperativas passou de 23,3% para 30,2% nos municípios do Norte e de 10% para 12,5% no Nordeste entre 2017 e 2021. No mesmo período, os Postos de Atendimento Cooperativo cresceram 41,23%.

Os autores ressaltam, contudo, limitações como o recorte em municípios de pequeno porte e a menor disponibilidade de dados sobre digitalização. Ainda assim, defendem o monitoramento contínuo da atuação cooperativista e o fortalecimento de estratégias de educação financeira para ampliar os avanços observados.