Cooperativismo

Cooperativismo brasileiro leva modelo de inclusão social à ONU e defende financiamento local

Sistema OCB participa da Comissão de Desenvolvimento Social das Nações Unidas e destaca papel das cooperativas no combate à pobreza e às desigualdades

Por Redação com Mundo Coop 09/02/2026 15h03 - Atualizado em 09/02/2026 19h07
Cooperativismo brasileiro leva modelo de inclusão social à ONU e defende financiamento local
Cooperativismo brasileiro participou das discussões internacionais sobre desenvolvimento social esta semana - Foto: Reprodução

O cooperativismo do Brasil marcou presença no debate internacional sobre desenvolvimento social ao integrar a programação da 64ª sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta semana em Nova York. 

Representando o Sistema OCB, a superintendente Fabíola Nader Motta participou de dois momentos considerados estratégicos: o Fórum Multistakeholder da Comissão, na quinta-feira (5), e um evento paralelo organizado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), na sexta-feira (6).

O Fórum Multistakeholder reuniu representantes de governos, organismos internacionais e sociedade civil para discutir estratégias de redução da pobreza, geração de trabalho e promoção de sociedades mais justas. Em um painel voltado a parcerias e mecanismos de financiamento, Fabíola defendeu que soluções econômicas eficazes precisam estar conectadas às necessidades locais e às realidades das comunidades.

Segundo ela, as cooperativas ocupam posição central nesse processo e devem ser reconhecidas como aliadas estratégicas nas políticas nacionais de financiamento. Para a superintendente, o modelo cooperativo combina presença territorial, inclusão social e capacidade de fortalecer economias locais de forma sustentável.

“No Brasil, aprendemos algo simples: quando governos tratam o financiamento cooperativo como parte de sua estratégia nacional, mais recursos chegam ao nível local e o impacto social se amplia”, disse Fabíola.

Experiência brasileira como referência

Durante o encontro, Fabíola apresentou dados que demonstram a relevância do cooperativismo de crédito no Brasil. De acordo com ela, marcos regulatórios sólidos e reconhecimento institucional permitiram ampliar o acesso a recursos financeiros para pequenos empreendedores, produtores rurais e regiões historicamente excluídas do sistema bancário tradicional.

Atualmente, as cooperativas de crédito brasileiras atendem mais de 20 milhões de associados, administram aproximadamente R$ 885 bilhões em ativos e são a única instituição financeira presente em 469 municípios do país. Para Fabíola, esse alcance reforça a importância da cooperação entre cooperativas e poder público na construção de um ambiente econômico mais equilibrado.

Outro exemplo citado foi a parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre 2023 e junho de 2025, o banco aprovou R$ 96 bilhões em financiamentos voltados à agenda verde, sendo que 73% dessas operações foram realizadas por meio de cooperativas de crédito e bancos cooperativos.

Cooperativas e justiça social


No segundo compromisso da agenda, o evento promovido pelo Comitê para a Promoção e o Avanço das Cooperativas (Copac) debateu como cooperativas e organizações da economia social e solidária podem transformar compromissos globais em ações concretas para reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Fabíola ressaltou que o cooperativismo é fundamental para aproximar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da realidade das pessoas. Para ela, é no dia a dia das cooperativas que metas globais se traduzem em acesso a crédito, mercados, serviços essenciais e geração de trabalho digno.

Baseadas em governança democrática e solidariedade, as cooperativas também contribuem para manter a riqueza nas comunidades, ampliar a inclusão financeira e fortalecer o empoderamento feminino — tema que ganha destaque adicional com a celebração do Ano Internacional da Mulher Agricultora, em 2026.

Ao final de sua participação, a superintendente reforçou que o impacto do cooperativismo depende de políticas públicas consistentes e de um ambiente regulatório favorável. Fabíola concluiu defendendo que os Estados-membros da ONU reconheçam as cooperativas como parceiras estratégicas do desenvolvimento, capazes de transformar diretrizes globais em resultados concretos no nível local.