Cooperativismo
Cooperativas de trabalhadores crescem 34% nos EUA
Relatório da Dawi aponta expansão pós-Covid e força de cooperativas lideradas por mulheres, imigrantes e comunidade LGBTQIA+
Um novo relatório do Instituto Democracia no Trabalho (Dawi) revela que as cooperativas de trabalhadores nos Estados Unidos registraram crescimento expressivo nos últimos anos, mesmo diante de pressões econômicas, ambientais e políticas. Desde 2020, o número de cooperativas e locais de trabalho democráticos aumentou 34%, enquanto a força de trabalho mais que dobrou no período.
Criada há 13 anos pela Federação Americana de Cooperativas de Trabalhadores (USFWC), a Dawi acompanha a evolução do setor e atualmente contabiliza 820 empresas formalmente identificadas. A estimativa, no entanto, é de que existam cerca de 1.300 cooperativas empregando aproximadamente 16 mil trabalhadores em todo o país.
O levantamento mostra que o crescimento das cooperativas superou o de pequenas empresas tradicionais, que avançaram 13% desde 2019, segundo dados da Câmara de Comércio dos EUA. Entre os destaques está a expansão no período pós-Covid, impulsionada pela criação de grandes cooperativas, especialmente no setor de transporte, com até 3 mil trabalhadores.
O relatório também aponta diversidade significativa na liderança dessas empresas. Mais de 70% são lideradas por mulheres, 30% por imigrantes e mais de 40% por pessoas LGBTQIA+. Além disso, 22% são comandadas por pessoas negras. Para Karina Pacheco, representante da Dawi, o modelo cooperativista tem se consolidado como alternativa inclusiva e democrática no mercado de trabalho.
Apesar do avanço, o setor enfrenta desafios estruturais. Os Estados Unidos não possuem uma legislação federal única para cooperativas, o que resulta em dezenas de marcos legais estaduais distintos e dificulta a consolidação de dados nacionais. Em contraste, Porto Rico — onde há legislação centralizada — apresenta ambiente mais favorável à criação e monitoramento de cooperativas.
A Dawi também investe em formação e expansão do modelo. Entre as iniciativas estão a Escola de Gestão Democrática, com cursos gratuitos e multilíngues, e o Programa de Cidades com Propriedade dos Funcionários, que apoia a transição de empresas tradicionais para cooperativas. A meta da organização é alcançar 10 cidades até 2026, começando por Raleigh, na Carolina do Norte.
O relatório reforça o papel das cooperativas como instrumento de inclusão econômica, geração de renda e fortalecimento de comunidades historicamente marginalizadas nos Estados Unidos.


