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Sinais de vulcanismo em Marte levantam hipótese de vida subterrânea no planeta
Estudo de cientistas russos identificou cloreto de hidrogênio na atmosfera do planeta, gás que pode indicar atividade magmática atual e condições favoráveis à existência de microrganismos
Cientistas russos identificaram possíveis sinais de atividade vulcânica atual em Marte, descoberta que pode ampliar as perspectivas de busca por vida no planeta. A pesquisa detectou a presença de cloreto de hidrogênio na atmosfera marciana, um dos gases associados ao vulcanismo. Os dados foram obtidos por meio do espectrômetro ACS, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (IKI), vinculado à Academia Russa de Ciências.
Segundo o instituto, a possível existência de atividade magmática no subsolo de Marte também abre caminho para a hipótese de que microrganismos possam sobreviver em cavidades subterrâneas aquecidas por fontes geotérmicas.
"Talvez o Marte moderno seja, afinal, vulcanicamente ativo. Isso é indicado pelos dados do espectrômetro ACS, criado no IKI da Academia Russa de Ciências. Ele detectou cloreto de hidrogênio na atmosfera de Marte, um dos gases vulcânicos", informou o IKI.
Os registros de atividade vulcânica no Planeta Vermelho conhecidos até então indicam que os vulcões estiveram ativos entre três bilhões e algumas dezenas de milhões de anos atrás. Atualmente, não existem evidências visíveis de vulcanismo na superfície marciana. No entanto, observações e simulações já apontavam para a possibilidade de reservatórios de magma quente em regiões subterrâneas.
Evidências subterrâneas
O cloreto de hidrogênio é apontado pelos pesquisadores como um possível indicador de atividade vulcânica. Embora seja encontrado em pequenas quantidades na Terra, o gás pode ter papel mais significativo nos processos vulcânicos de Marte, conforme algumas teorias.
A partir das observações, os cientistas identificaram indícios de que a substância chega à atmosfera por pequenas falhas geológicas, com centenas de metros de comprimento e dezenas de centímetros de largura, localizadas acima de reservatórios de magma.
A hipótese é que o gás não seja liberado diretamente do magma. O processo ocorreria por meio de uma camada intermediária de solo congelado, conhecida como permafrost. Durante o inverno marciano, o gelo reteria as moléculas de cloreto de hidrogênio. Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, a substância seria liberada na atmosfera na forma de HCl.
"Assim, por enquanto, a melhor maneira de explicar as observações do ACS é usar uma fonte magmática local abaixo da superfície. Parece que, pela primeira vez, conseguimos encontrar evidências muito sérias de atividade magmática ativa em Marte não no passado, mas agora", acrescentou um dos cientistas.
Busca por vida
De acordo com o IKI, ambientes hidrotérmicos ativos podem reunir fontes de energia e condições favoráveis à sobrevivência de microrganismos. Por esse motivo, regiões subterrâneas aquecidas são consideradas áreas promissoras para investigações sobre a possível existência de vida em Marte.
A descoberta reforça o interesse científico pelo subsolo do planeta, onde sistemas aquecidos pela atividade magmática poderiam funcionar como ambientes propícios à presença de formas microscópicas de vida.
