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Observatório Rubin identifica possível sexto planeta anão além de Netuno

Além de impulsionar pesquisas sobre matéria escura e energia escura, o LSST está formando o mais completo inventário já feito do Sistema Solar e já descobriu mais de 11 mil novos asteroides, além de identificar diversos candidatos a planetas anões

Por Sputnik Brasil 29/10/2026 14h02 - Atualizado em 29/10/2026 14h02
Observatório Rubin identifica possível sexto planeta anão além de Netuno
Foto: © Foto / NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA/R. Proctor

O Observatório Vera Rubin identificou um novo objeto gelado nas regiões mais distantes do Sistema Solar, que pode ser classificado como planeta anão. Batizado de 2026 ED138, o corpo celeste tem entre 600 e 1.500 quilômetros de diâmetro, tamanho suficiente para que sua gravidade o molde em uma forma aproximadamente esférica, característica fundamental dessa categoria.

Se a classificação for confirmada, o 2026 ED138 passará a integrar um grupo extremamente seleto: atualmente, apenas cinco planetas anões são oficialmente reconhecidos — Plutão, Ceres, Éris, Haumea e Makemake. A descoberta reforça a expectativa de que outros mundos semelhantes possam estar ocultos nas fronteiras do Sistema Solar.

A identificação foi feita por Matthew Holman, do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, ao analisar dados do Observatório Rubin com um algoritmo desenvolvido em parceria com Kevin Napier. O programa detectou um corpo além da órbita de Netuno com brilho incomumente intenso para sua distância, sugerindo que pode ser maior que a maioria dos objetos transnetunianos já conhecidos.

Localizado no topo do Cerro Pachón, no Chile, o Observatório Vera Rubin entrou em operação em 2025 e conduz atualmente o Levantamento do Legado do Espaço e do Tempo (LSST, na sigla em inglês), um projeto de dez anos de mapeamento do céu austral.

Além de impulsionar pesquisas sobre matéria escura e energia escura, o LSST está formando o mais completo inventário já feito do Sistema Solar e já descobriu mais de 11 mil novos asteroides, além de identificar diversos candidatos a planetas anões.

No caso do 2026 ED138, o objeto foi observado 30 vezes ao longo de 20 noites entre março e julho deste ano. Imagens da Câmera de Energia Escura mostram que ele já havia sido registrado desde 2016.

Os dados disponíveis indicam que o 2026 ED138 possui uma órbita inclinada cerca de 25 graus em relação ao plano do Sistema Solar, provavelmente resultado de uma interação gravitacional com Netuno. Atualmente, está a cerca de 46 unidades astronômicas do Sol, mais distante que Plutão em média. O tamanho exato ainda precisa ser confirmado por observações em infravermelho, como as do Telescópio Espacial James Webb (JWST).

Se a classificação como planeta anão for confirmada, esta será uma das descobertas mais relevantes já realizadas pelo Rubin em seus primeiros anos de operação.