Ciência, tecnologia e inovação
Estudos clínicos com substância para tratar lesão medular têm início no Brasil
Polilaminina foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da UFRJ
A farmacêutica Cristália inicia neste mês de setembro os estudos clínicos com a polilaminina, substância inovadora desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para auxiliar na recuperação de movimentos em pessoas com lesão na medula espinhal.
Segundo informações da Agência Brasil, a equipe responsável pelo estudo clínico irá recrutar cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, para receber a polilaminina.
Nesta etapa inicial, os pesquisadores buscam avaliar se a substância oferece benefícios superiores a possíveis riscos ao organismo. A análise da eficácia do medicamento será aprofundada nas próximas fases do desenvolvimento clínico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a inclusão de pacientes com lesão medular completa entre as vértebras T2 e T10, desde que tenham sofrido o trauma nas 72 horas anteriores e apresentem indicação cirúrgica para descompressão da medula.
Os participantes do estudo serão atendidos no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia, ambos localizados em São Paulo. Nessas unidades, médicos especializados irão aplicar a substância diretamente na medula dos pacientes.
Após o procedimento, os pacientes passarão por reabilitação na Associação de Assistência à Criança com Deficiência (AACD), onde serão acompanhados por pesquisadores durante os seis meses seguintes.
A polilaminina é produzida a partir de um pequeno fragmento da placenta e, conforme os estudos, contribui para a regeneração de neurônios, restabelecendo a comunicação entre o cérebro e o corpo. O medicamento deve ser administrado em até seis dias após a lesão. Desde 2018, pelo menos cinco pacientes com perda total da função motora e sensibilidade vêm sendo acompanhados pela equipe, apresentando avanços significativos.
A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ.
