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Por que América do Sul está vendo tantos terremotos em sequência? Saiba mais

Abalos no Peru, Colômbia, Indonésia e Venezuela chamaram atenção, mas especialistas afirmam que não há evidências de aumento anormal da atividade sísmica

Por Redação com BBC News Brasil 21/08/2026 17h05
Por que América do Sul está vendo tantos terremotos em sequência? Saiba mais
Terremoto causou nuvens de poeira no Peru - Foto: Reuters

Um terremoto de magnitude 7,2 atingiu a região de Ayacucho, no Peru, na quinta-feira (20), deixando pelo menos três pessoas feridas. O tremor também foi sentido em outras partes do país, incluindo Lima, e afetou 22 residências e seis escolas.

Apesar da força do abalo e da ocorrência recente de outros terremotos de grande magnitude em diferentes países, a ciência não aponta para um aumento anormal da atividade sísmica no planeta. Especialistas explicam que a sequência de eventos está dentro da variação natural esperada para terremotos.

O Instituto Geofísico do Peru (IGP) registrou o tremor às 13h, no horário local, com epicentro a 35 quilômetros ao norte de Coracora, na província de Parinacochas. A instituição estimou profundidade de 108 quilômetros e magnitude 7,2. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calculou magnitude 6,7 e profundidade de aproximadamente 67 quilômetros.

Por que parece que há mais terremotos?

Nos últimos dias e meses, terremotos fortes foram registrados em países como Indonésia, Colômbia, Venezuela e Japão. A proximidade entre alguns desses eventos pode criar a impressão de que os terremotos estão se tornando mais frequentes.

Segundo especialistas, porém, existem outros fatores que explicam essa percepção.

Um deles é o avanço da tecnologia de monitoramento. Os equipamentos utilizados para detectar terremotos estão cada vez mais precisos e espalhados por diferentes regiões do mundo. Com isso, tremores que antes poderiam passar despercebidos são identificados pelos serviços geológicos.

Outro fator é a velocidade da informação. Atualmente, imagens de câmeras de segurança, vídeos feitos por moradores e relatos publicados nas redes sociais fazem com que um terremoto ocorrido a milhares de quilômetros de distância seja conhecido em poucos segundos.

A maior concentração da população em grandes cidades também aumenta a percepção dos impactos, já que mais pessoas vivem em áreas potencialmente expostas aos efeitos dos terremotos.

Origem semelhante

Peru e Colômbia estão em uma região de intensa atividade tectônica, relacionada principalmente à interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana. É justamente o movimento dessas placas que contribui para a ocorrência frequente de terremotos na região.

Isso não significa, entretanto, que um terremoto tenha provocado outro.

“Foi o mesmo mecanismo que disparou os dois terremotos, mas a gente não pode dizer que um terremoto causou o outro. A gente não tem evidências de uma relação causal”, explica a geofísica Susanne Maciel, professora da pós-graduação em Geociências da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com a pesquisadora, as análises sismológicas indicam que os eventos são independentes, mesmo quando ocorrem em um intervalo curto.

O cenário da Venezuela é diferente. Embora o país também seja influenciado pela dinâmica da placa de Nazca, a atividade sísmica registrada na região está mais relacionada à interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana.

Periodicidade

Terremotos são muito mais comuns do que a percepção cotidiana sugere. O Centro Nacional de Informações sobre Terremotos dos Estados Unidos estima que aproximadamente 20 mil tremores sejam registrados no mundo a cada ano — uma média de cerca de 55 por dia.

A maioria é de baixa magnitude e não provoca danos significativos.

Para terremotos de magnitude superior a 7, a média anual calculada pelo USGS é de aproximadamente 15 eventos. Já tremores acima de magnitude 8 são muito mais raros, com uma média de cerca de um por ano.

Esses números, porém, não se repetem exatamente todos os anos.

Em 2010, por exemplo, foram registrados 23 terremotos de magnitude superior a 7. Em 1989, foram apenas seis. Essa variação é considerada normal pelos especialistas.

“Em termos estatísticos, a ocorrência de terremotos é um processo muito variável”, afirma Maciel.

A pesquisadora explica que é esperado que ocorram períodos em que vários terremotos fortes sejam registrados em uma janela relativamente curta. Por isso, a concentração recente de eventos não é suficiente para indicar uma mudança no comportamento sísmico do planeta.

Previsões?

Mesmo com equipamentos cada vez mais sofisticados, a ciência ainda não consegue determinar antecipadamente quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um terremoto.

O que já é possível fazer em alguns locais é detectar rapidamente o início de um tremor e emitir alertas para regiões que ainda serão atingidas pelas ondas sísmicas mais fortes.

Esses sistemas não preveem o terremoto. Eles funcionam depois que o evento começa e podem fornecer alguns segundos de antecedência para que as pessoas adotem medidas de proteção.

Para a ciência, portanto, a sequência recente de terremotos fortes não representa, até o momento, uma anomalia global. O que mudou significativamente foi a capacidade de detectar, monitorar e divulgar esses eventos, fazendo com que os terremotos estejam mais presentes no noticiário e nas redes sociais.