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Super El Niño pode intensificar eventos extremos no Brasil em 2026
Risco de enchentes, secas, ondas de calor e deslizamentos é elevado devido o evento
Especialistas alertam que o El Niño previsto para 2026 pode ser um dos mais intensos já registrados, elevando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. Segundo projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o fenômeno pode provocar chuvas mais intensas, secas prolongadas e ondas de calor, com impactos sobre cidades, ecossistemas e atividades econômicas.
O El Niño ocorre a cada dois a sete anos e é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e os padrões climáticos em diversas partes do mundo.
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), Marcus Polette, os efeitos tendem a ser potencializados pelas mudanças climáticas.
"O El Niño modifica a circulação atmosférica e oceânica em escala global, alterando o regime de chuvas, as temperaturas e a frequência de eventos extremos. Em um cenário de mudanças climáticas, esses efeitos tendem a ser potencializados", explicou.
No Sul, a expectativa é de aumento das chuvas, tempestades, enchentes e deslizamentos. Segundo o professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, o fenômeno favorece o bloqueio atmosférico, fazendo com que frentes frias permaneçam sobre a região por mais tempo.
Já no Norte e Nordeste, o cenário é oposto. A previsão é de redução das chuvas, aumento das temperaturas, agravamento das secas e maior risco de queimadas, além de impactos sobre a pesca, a agricultura e os ecossistemas marinhos, como os recifes de corais.
No Sudeste, os especialistas apontam maior frequência de ondas de calor, períodos de estiagem e chuvas intensas concentradas, situação agravada pela urbanização e pela ocupação de áreas de risco.
Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não possa ser evitado, especialistas defendem medidas para minimizar seus efeitos. Entre elas estão o fortalecimento do monitoramento climático, a ampliação dos sistemas de alerta, investimentos em infraestrutura e drenagem urbana e a preservação de ecossistemas costeiros.
Para Marcus Polette, o país precisa ampliar as ações de prevenção e adaptação. Já Micael Cecchini destaca que o Brasil possui um sistema robusto de monitoramento climático, mas afirma que o principal desafio é transformar essas informações em ações efetivas para reduzir os impactos dos eventos extremos.
*Informações de Metrópoles Ciência
