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Estudo identifica bactéria que causa doença grave em peixes de criação no Brasil

Até então, a bactéria só tinha sido encontrada em peixes em regiões da Ásia e Estados Unidos

Por Redação com Metrópoles 15/07/2026 13h01
Estudo identifica bactéria que causa doença grave em peixes de criação no Brasil
Até então, a bactéria só tinha sido encontrada em peixes em regiões da Ásia e Estados Unidos - Foto: Daniel Ferreira/Caunesp

Pesquisadores brasileiros identificaram, pela primeira vez, a presença de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes de criação destinados ao consumo no país. Os microrganismos são responsáveis pela columnariose, doença que provoca lesões, necrose nas brânquias e pode levar os animais à morte em poucos dias.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Caunesp), em parceria com cientistas de Moçambique, e publicado em maio na revista Microbial Pathogenesis. Até então, a doença havia sido registrada em criações apenas na Ásia e nos Estados Unidos.

Embora a infecção não represente risco para a saúde humana, os pesquisadores alertam para os prejuízos econômicos causados à piscicultura. No Brasil, as bactérias foram encontradas em tilápias e também em espécies nativas, como tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia.

Durante a pesquisa, foram isoladas 11 cepas bacterianas. Entre elas, a Flavobacterium oreochromis, antes associada apenas às tilápias, foi identificada em outras espécies brasileiras. Já a Flavobacterium davisii foi detectada pela primeira vez em um pintado-da-amazônia.

Os pesquisadores também constataram que as bactérias estão adaptadas às condições climáticas do país, conseguindo se desenvolver em temperaturas próximas à média das águas continentais brasileiras. Algumas cepas ainda apresentaram capacidade de permanecer em estado de dormência até encontrarem condições favoráveis para proliferação.

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, destacou o pesquisador Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.

Segundo o pesquisador, a identificação inicial das bactérias é feita por meio da observação das colônias em microscópio, mas exige atenção devido às características dos microrganismos.

“Como esses microrganismos se movimentam deslizando no meio de cultura, dependendo do meio utilizado a colônia fica transparente, quase invisível. Por isso, é preciso atenção redobrada durante o exame visual”, explicou.

Os cientistas avaliam que a adição de sal à água pode ajudar no controle da doença, desde que respeitadas as condições adequadas para cada espécie. Além disso, novas análises genômicas estão em andamento para desenvolver vacinas específicas contra as cepas identificadas nos criadouros brasileiros.