Ciência, tecnologia e inovação

Astrônomos produzem maior mapa dos campos magnéticos do Universo

Levantamento analisou 350 mil galáxias e revelou estruturas magnéticas que se estendem da Via Láctea a regiões distantes do cosmos

Por Sputnik Brasil 08/06/2026 09h09
Astrônomos produzem maior mapa dos campos magnéticos do Universo
Estudo analisou a polarização da luz de 350 mil galáxias para revelar estruturas invisíveis do Universo - Foto: © Foto / CSIRO/Alec Thomson et al./Alex Cherney/Sam Moorfield

Campos magnéticos, invisíveis e fundamentais para a formação de estrelas e galáxias, acabam de ganhar o maior e mais detalhado mapa já produzido, graças ao radiotelescópio ASKAP. O equipamento analisou a polarização da luz de 350 mil galáxias, revelando estruturas magnéticas que se estendem da Via Láctea a regiões distantes do Universo.

Esses campos permeiam o cosmos e influenciam o movimento das partículas que compõem planetas, estrelas e galáxias, embora sua origem siga sendo um mistério. Na Terra, orientam bússolas e aves migratórias, mas, no espaço, exigem técnicas sofisticadas para serem detectados.

Astrônomos utilizam radiotelescópios para transformar a luz de galáxias distantes em uma espécie de 'lanterna', capaz de revelar regiões invisíveis do espaço. No novo estudo, pesquisadores empregaram o radiotelescópio mais poderoso da Austrália para criar o maior e mais detalhado mapa já feito desses campos magnéticos.

A intensidade desses campos varia de forma impressionante: estrelas de nêutrons e buracos negros apresentam magnetismo trilhões de vezes mais forte que o terrestre, enquanto no espaço interestelar os campos são milhões de vezes mais fracos — ainda assim, essenciais para regular a evolução das galáxias e até frear a formação de estrelas.

Como os campos magnéticos são invisíveis, sua presença é identificada pela polarização da luz, que sofre alteração ao atravessar regiões magnetizadas. Essa distorção é especialmente detectável em ondas de rádio, permitindo que radiotelescópios revelem estruturas ocultas do Universo.

A Austrália tem papel histórico nesse campo: em 1962, o radiotelescópio Murriyang registrou pela primeira vez a polarização causada por campos magnéticos extragalácticos. Desde então, astrônomos vêm ampliando o número de fontes observadas para construir mapas cada vez mais completos.

O último grande mapa havia sido feito em 2009, e a ausência de atualizações limitava o avanço das pesquisas. Para superar esse desafio, uma nova geração de radiotelescópios — impulsionada pela construção do Observatório SKA — entrou em operação, incluindo o ASKAP, precursor equipado com 36 antenas capazes de observar vastas áreas do céu.

Radiotelescópio ASKAP da CSIRO em Inyarrimanha Ilgari Bundara, o Observatório de Radioastronomia Murchison da CSIRO, em território Wajarri Yamaji
Radiotelescópio ASKAP da CSIRO em Inyarrimanha Ilgari Bundara, o Observatório de Radioastronomia Murchison da CSIRO, em território Wajarri Yamaji

O ASKAP é peça central do projeto Levantamento de Polarização do Magnetismo do Universo (POSSUM, na sigla em inglês), dedicado ao mapeamento do magnetismo cósmico. Em levantamentos preliminares, o telescópio identificou quase quatro milhões de galáxias, metade delas nunca antes catalogadas, criando um atlas essencial para futuras pesquisas.

A partir desses dados, cientistas desenvolveram o novo mapa SPICE‑RACS, analisando sinais de polarização em 350 mil galáxias — dez vezes mais do que o maior conjunto anterior. O resultado é o mapa mais amplo e detalhado já obtido, revelando estruturas magnéticas tanto da Via Láctea quanto de regiões ainda mais distantes.