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Estudo brasileiro explica porque Vênus gira 'ao contrário'
Pesquisa foi desenvolvida na USP, coordenado pelo pesquisador Sylvio Ferraz Mello
Um estudo liderado pelo pesquisador brasileiro Sylvio Ferraz Mello trouxe novos esclarecimentos sobre um dos fenômenos mais intrigantes do Sistema Solar: a rotação retrógrada de Vênus. Diferentemente da maioria dos planetas, Vênus gira em torno do próprio eixo no sentido oposto ao da Terra e dos demais corpos planetários.
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP e publicada em março no The Astronomical Journal.
Segundo o estudo, a explicação para esse comportamento está na interação entre dois fatores principais: as marés gravitacionais provocadas pela atração do Sol e a influência da atmosfera extremamente densa de Vênus.
As marés gravitacionais tendem a desacelerar a rotação do planeta. Por outro lado, o aquecimento desigual da atmosfera pela radiação solar gera deformações térmicas que exercem uma força no sentido contrário. Ao longo do tempo, essa influência atmosférica acabou prevalecendo.
“A atração do Sol sobre a parte sólida do planeta e sobre a atmosfera atua em sentidos opostos. Uma tende a frear a rotação, a outra a acelerá-la no sentido contrário – e a atmosfera acaba vencendo”, explicou Ferraz Mello à Agência Fapesp.
Atualmente, um dia venusiano dura cerca de 243 dias terrestres, tornando a rotação de Vênus uma das mais lentas do Sistema Solar.
De acordo com a pesquisa, o planeta provavelmente girava no mesmo sentido dos demais corpos do Sistema Solar quando se formou. Com o passar do tempo, porém, a liberação de gases do interior do planeta tornou sua atmosfera cada vez mais espessa. Esse processo alterou gradualmente a dinâmica da rotação até estabelecer o movimento retrógrado observado atualmente.
O trabalho também sugere que a rotação de Vênus pode continuar sofrendo alterações lentas ao longo do tempo, embora sejam necessárias novas observações e estudos para confirmar essa hipótese.
Conhecido como o “planeta gêmeo” da Terra devido ao tamanho semelhante, Vênus continua sendo um dos objetos mais estudados pelos astrônomos justamente por apresentar características únicas que desafiam os modelos tradicionais de formação e evolução planetária.
*Informações de Metrópoles Ciência


