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Estudo da Ufal revela perfil dos resíduos no aterro sanitário de Maceió

Levantamento coordenado pelo Centro de Tecnologia (Ctec) é o mais completo já realizado pela Universidade

Por Ascom Ufal 26/05/2026 18h06
Estudo da Ufal revela perfil dos resíduos no aterro sanitário de Maceió
Dados indicam que uma parcela significativa do lixo de Maceió ainda tem potencial de reaproveitamento ou tratamento específico - Foto: Reprodução

Mais da metade dos resíduos sólidos urbanos que chegam ao aterro sanitário de Maceió é de matéria orgânica. É o que aponta o estudo liderado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio de uma equipe do Centro de Tecnologia (Ctec), em parceria com a Orizon, empresa responsável pela operação do aterro sanitário da capital alagoana. 

A pesquisa também contou com diálogo institucional com a Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana de Maceió (Alurb), uma das responsáveis pela fiscalização do aterro e interessada na caracterização dos resíduos para aprimorar a gestão pública do setor.

O trabalho foi coordenado pelas professoras Nélia Callado e Daysy Lira, com a participação de estudantes dos cursos de Engenharia Ambiental e Civil. O levantamento foi desenvolvido ao longo de 2025, com quatro campanhas de caracterização dos resíduos: duas no período chuvoso, realizadas em abril e julho, e duas no período seco, em setembro e dezembro.

Nélia explica que, em cada campanha, foram analisados resíduos provenientes de três ou quatro bairros, escolhidos de forma a representar 60% ou mais da população de cada Região Administrativa de Maceió. Ao todo, mais de cem caracterizações foram realizadas na área do próprio aterro.

Matéria orgânica lidera composição do lixo

De acordo com os resultados obtidos, a caracterização média anual mostra que a matéria orgânica representa 54,6% dos resíduos encaminhados ao aterro sanitário de Maceió. Em seguida aparecem os plásticos, com 21,3%, os papéis, com 8,9%, e a categoria outros, com 8,5%. Os demais materiais aparecem em menor proporção: têxteis, 4,6%; vidro, 1,2%; e metais, 1%.

“Individualmente, a região administrativa 2 e a que apresenta maior percentual de matéria orgânica, e quanto a RA6 é a que apresenta maior percentual de recicláveis [Benedito Bentes e Antares]. Mas a análise em função da população mostra que quem contribui com maior percentual de MO e recicláveis é a RA7, que envolve os bairros Cidade Universitária, Clima Bom e Santa Lúcia [além de Santos Dumont e Tabuleiro dos Martins]”, avaliou a professora Nélia.

Os dados indicam que uma parcela significativa do lixo de Maceió ainda tem potencial de reaproveitamento ou tratamento específico. Somando apenas vidro, metais, plásticos e papéis, os recicláveis representam aproximadamente 32,4% da composição média anual.

Diferenças entre período seco e chuvoso

O estudo também analisou a variação da composição dos resíduos entre os períodos seco e chuvoso. No período seco, a presença de matéria orgânica foi maior, chegando a 58,8% do total analisado. Já no período chuvoso, esse percentual caiu para 50,4%.

Por outro lado, no período chuvoso houve aumento da categoria “outros”, que passou de 5,8% no período seco para 11,1% no período chuvoso. Também foram observadas pequenas variações em papéis, que passaram de 8,2% para 9,5%, e metais, de 0,7% para 1,3%. Os plásticos mantiveram participação praticamente estável, com 21,1% no período seco e 21,5% no chuvoso. O vidro permaneceu em 1,2% nos dois cenários.

Essas diferenças podem ajudar a compreender como a sazonalidade influencia a composição dos resíduos urbanos e contribuir para o planejamento da coleta seletiva, ações educativas por bairro e para o dimensionamento de soluções de tratamento.

“Esse é um trabalho árduo e de relevante importância para a gestão dos resíduos sólidos de Maceió”, destacou Callado.

Trabalho de campo e análises laboratoriais

Além da caracterização física dos resíduos no aterro, a equipe da Ufal também realizou análises físico-químicas da fração orgânica no Laboratório de Saneamento Ambiental do Ctec. O relatório com os resultados do trabalho foi entregue à Orizon e reúne o detalhamento por bairro e por Região Administrativa de Maceió.

A Ufal já possui histórico de protagonismo nessa área: desde a época do antigo lixão, foram realizadas sete caracterizações dos resíduos de Maceió, sendo cinco coordenadas pela Universidade.” A edição de 2025 é considerada a mais completa e detalhada já conduzida pela instituição”, finalizou a professora.