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Planetas sem núcleo definido desafiam modelo clássico, aponta pesquisa

Pesquisa indica que a estrutura interna dos planetas rochosos pode divergir bastante do modelo clássico baseado na Terra

Por Sputnik Brasil 25/05/2026 14h02
Planetas sem núcleo definido desafiam modelo clássico, aponta pesquisa
Foto: © Shutterstock/FOTODOM / Rost9

Planetas maiores que a Terra, mas menores que Netuno, podem não possuir um núcleo metálico como o do nosso planeta. Um estudo recente aponta que, sob temperaturas e pressões extremas, os materiais internos desses mundos se misturam completamente, formando planetas sem camadas internas distintas — o que sugere que a Terra pode ser uma exceção no Universo.

A pesquisa indica que a estrutura interna dos planetas rochosos pode divergir bastante do modelo clássico baseado na Terra. Em vez de um núcleo metálico denso, um manto de silicato e uma atmosfera fina, muitos desses mundos, especialmente os chamados sub-Netunos — o tipo de planeta mais comum na galáxia —, podem não apresentar camadas estruturais definidas.

Tradicionalmente, planetas maiores que a Terra e menores que Netuno eram vistos como versões ampliadas do modelo terrestre. Porém, o novo estudo mostra que, nas condições extremas de pressão e temperatura de seus interiores, hidrogênio, silicato e ferro tornam-se miscíveis, originando um único fluido turbulento.

Representação artística de um exoplaneta sub-Netuno
Representação artística de um exoplaneta sub-Netuno

Os autores do estudo explicam que, se um planeta acumula mais de 1% de sua massa em hidrogênio, perde-se a separação entre núcleo, manto e atmosfera. O interior se transforma em uma mistura homogênea, sem fronteiras internas, mudando radicalmente a evolução e a dissipação de calor desses mundos.

Esse novo modelo ajuda a explicar características já observadas na população de exoplanetas, como a "lacuna de raio" — a ausência de mundos intermediários entre super-Terras e sub-Netunos — e a relação entre tamanho planetário e período orbital. A miscibilidade interna oferece respostas que modelos estratificados não conseguiam fornecer.

De acordo com o estudo, sub-Netunos jovens deveriam liberar hidrogênio gradualmente do interior para a atmosfera à medida que esfriam, tornando-se mais inchados do que o previsto. Essa assinatura pode ser detectada em planetas recém-formados observados pelo telescópio JWST e por futuros levantamentos de trânsito.

Os autores reconhecem limitações em suas conclusões, que dependem de extrapolações teóricas sobre o comportamento de materiais sob condições ainda impossíveis de reproduzir integralmente em laboratório. Além disso, o método estatístico utilizado para reconstruir a física interna a partir da população observada envolve incertezas significativas.

Mesmo assim, a principal implicação é clara: o modelo terrestre pode ser uma exceção, e não a regra. O planeta típico da galáxia talvez não possua um núcleo metálico definido — e a própria Terra pode ser um caso raro entre os mundos rochosos.

Por Sputnik Brasil