Nacional
Imagens registram desespero de vizinhos tentando salvar vítima de feminicídio
Caso foi registrado em Guarapuava, na região central do Paraná; Suelen Cristina Cordeiro foi morta pelo companheiro
Imagens de câmeras de segurança registraram o desespero de vizinhos que tentaram salvar Suelen Cristina Cordeiro durante um ataque cometido pelo companheiro, Anderson José da Fonseca, em Guarapuava, na região central do Paraná. O inquérito sobre o caso foi concluído nesta terça-feira (7), e o suspeito foi indiciado por feminicídio.
De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu na noite de 27 de junho. Cerca de uma hora antes do assassinato, o casal havia sido filmado deixando um bar aparentemente tranquilo, sorrindo e conversando. Em seguida, os dois foram para casa, onde iniciaram uma discussão.
Segundo as investigações, os vizinhos ouviram gritos de socorro e tentaram entrar na residência para ajudar a vítima. No entanto, as portas estavam trancadas. Enquanto os moradores tentavam acessar o imóvel, Anderson matou Suelen com 28 facadas.
"Acreditamos que as agressões tenham durado pelo menos seis minutos dentro da residência, com as portas fechadas, enquanto as testemunhas tentavam, a todo momento, entrar na casa, já cientes de que uma agressão extremamente grave estava acontecendo", afirmou a delegada Ana Hass de Miranda.
As gravações mostram ainda o momento em que o suspeito deixa o imóvel segurando uma faca, que, segundo a polícia, foi utilizada no crime. Logo depois, ele retorna, discute com os vizinhos e foge, deixando a casa novamente trancada.
Após o assassinato, Anderson voltou ao mesmo bar onde o casal havia estado anteriormente. Ele foi localizado no estabelecimento e preso pela polícia.
Em nota, a defesa do investigado informou que só irá se manifestar após ter acesso integral ao inquérito policial, aos laudos da Polícia Científica e aos depoimentos colhidos durante a investigação.
Histórico de violência
Conforme a Polícia Civil, testemunhas relataram que o relacionamento entre Anderson e Suelen era marcado por episódios frequentes de violência e agressões.
Segundo a delegada responsável pelo caso, os depoimentos apontam que a vítima teria sofrido restrições de liberdade, além de agressões físicas recorrentes. Há relatos de que ela chegou a ser sedada com medicamentos, agredida com chutes e submetida a outras formas de violência. Apesar da gravidade das denúncias, os episódios nunca haviam sido comunicados oficialmente às autoridades.
A Polícia Civil reforça que denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 197 ou pelo Disque-Denúncia 181. Em situações de emergência ou quando a vítima estiver em risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
NOTA DA DEFESA
"Inicialmente, expressamos nosso mais sincero respeito e solidariedade aos familiares e amigos da vítima, Suelen, cientes do momento de imensa dor e da natural comoção que o caso desperta na comunidade local.
Cumpre destacar que a investigação encontra-se em estágio absolutamente embrionário. Qualquer juízo de valor ou conclusão precipitada neste momento é prematuro e pode comprometer a busca pela verdade real.
Como defensoras dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, atuaremos de forma técnica, ética e rigorosa. Reiteramos que, no ordenamento jurídico brasileiro, independentemente da gravidade do fato ou de quem seja a pessoa investigada, todos merecem e têm direito a um processo justo.
É por meio do estrito cumprimento do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa que se assegura a aplicação de uma justiça legítima, técnica e isenta de paixões externas.Nosso compromisso primordial é com a justiça e com a legalidade.
Colaboraremos com as autoridades competentes no que for estritamente necessário para que a dinâmica dos fatos seja integralmente esclarecida e individualizada, rechaçando qualquer excesso acusatório baseado unicamente no clamor social.
A defesa técnica informa que apenas se manifestará sobre o mérito das acusações e a motivação após o acesso integral aos autos do inquérito policial, aos laudos da Polícia Científica e aos depoimentos formais colhidos pela autoridade policial".

