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Detritos espaciais voltam a chamar atenção com aumento de risco na reentrada na Terra

Expansão de lançamentos e uso de materiais resistentes como fibra de carbono elevam preocupação com quedas descontroladas de lixo espacial

Por Redação com Metrópoles Ciência 20/05/2026 11h11
Detritos espaciais voltam a chamar atenção com aumento de risco na reentrada na Terra
Ilustração - Foto: Getty Images

O aumento no número de lançamentos de objetos ao espaço tem ampliado a preocupação com a reentrada de detritos na atmosfera terrestre. Partes de foguetes e satélites que deveriam se desintegrar completamente durante o retorno à Terra nem sempre queimam como o esperado, aumentando o risco de queda de fragmentos em áreas habitadas.

Durante lançamentos espaciais, componentes como propulsores descartáveis são liberados para reduzir peso e deveriam se desintegrar ao reentrar na atmosfera. O mesmo ocorre com satélites ao fim de sua vida útil. No entanto, nem todos os materiais são completamente destruídos nesse processo, e fragmentos podem alcançar o solo.

Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Stout estudam como certos materiais conseguem resistir às altíssimas temperaturas da reentrada, com o objetivo de tornar futuros projetos espaciais mais seguros e menos propensos a gerar detritos perigosos.

Casos recentes mostram que pedaços de naves já atingiram regiões habitadas em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Canadá, Argentina e Polônia. Em alguns episódios, partes de estruturas da cápsula Dragon, da empresa SpaceX, sobreviveram à reentrada e chegaram ao solo.

O problema tende a crescer com o aumento acelerado de lançamentos. Até 2016, eram cerca de 100 objetos lançados por ano. Em 2025, esse número chegou a aproximadamente 4.500, impulsionado principalmente por empresas privadas e projetos de grandes constelações de satélites.

A maior preocupação é que satélites em órbita baixa da Terra viajam a cerca de 27 mil km/h e acumulam enorme energia cinética. Ao entrar na atmosfera, o atrito com o ar gera temperaturas extremas que podem ultrapassar 1.600 °C. Ainda assim, materiais modernos dificultam a queima completa.

A fibra de carbono, amplamente usada em estruturas espaciais, é um dos fatores que aumentam a sobrevivência de fragmentos. Leve e resistente, ela pode atuar como uma espécie de “escudo térmico”, permitindo que partes de equipamentos cheguem ao solo.

Diante desse cenário, pesquisadores defendem mudanças no chamado “design para o fim da vida útil” dos satélites. A ideia é projetar equipamentos que se desintegrem completamente na reentrada, reduzindo riscos. Isso inclui o uso de materiais mais vulneráveis ao calor ou estruturas que se fragmentem de forma controlada.

O desafio é equilibrar resistência durante a missão e segurança no descarte, em um contexto de crescimento contínuo da atividade espacial.