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Estudo aponta onda de magma que quase provocou erupção nos Açores
Pesquisadores identificaram subida silenciosa de magma sob ilha portuguesa durante sequência de terremotos em 2022
Uma onda gigantesca de magma subiu rapidamente sob a ilha de São Jorge, nos Açores, desencadeando milhares de terremotos em 2022, mas não chegou a romper a superfície graças à estrutura única da falha tectônica local.
Segundo estudo publicado na revista Nature Communications, durante a primavera de 2022, a ilha portuguesa foi abalada por milhares de tremores. Pesquisadores descobriram que o fenômeno foi causado por uma ascensão "oculta" de magma, que partiu de mais de 20 km de profundidade e parou a apenas 1,6 km da superfície.
Ao contrário do habitual, em que deslocamentos de magma são acompanhados por abalos constantes, este episódio nos Açores foi considerado único. Uma equipe internacional de geólogos constatou que a rocha derretida subiu quase sem sinais, em silêncio, conforme relatado pelo portal ScienceDaily.
Utilizando uma rede de sismômetros terrestres e subaquáticos, além de dados de satélite, os cientistas calcularam que o volume de magma ascendido equivale a 32 mil piscinas olímpicas.
Imagens de satélite mostraram que o solo acima do vulcão se elevou cerca de 6 centímetros, evidenciando a entrada do magma na crosta rasa sob a ilha. Apesar disso, não houve erupção: o fenômeno foi classificado como "erupção falhada". O sistema de falhas do Pico de Carvão foi essencial para evitar o desastre, funcionando como uma válvula que permitiu a rápida subida do magma e o escape seguro dos gases, reduzindo a pressão e interrompendo o processo eruptivo.
Os resultados do estudo levam os sismólogos a repensar os métodos de monitoramento vulcânico. O fato de grandes volumes de magma poderem se deslocar rapidamente e sem sinais claros de alerta destaca a necessidade de sistemas de detecção mais avançados e sensíveis em todo o mundo.


