Agro

Mercado de grãos tem alta no feijão, cautela no milho e avanço da soja

Cenário climático, estimativas de safra e demanda internacional movimentam setores agrícolas no país

Por Redação* 18/05/2026 08h08
Mercado de grãos tem alta no feijão, cautela no milho e avanço da soja
Clima e projeções de safra movimentam mercado brasileiro de grãos. - Foto: Secom PMP

O mercado brasileiro de grãos iniciou a segunda quinzena de maio em cenários distintos para feijão, milho e soja. Enquanto o feijão segue em valorização devido à restrição de oferta e às incertezas climáticas, o milho enfrenta retração de compradores diante da expectativa de maior produção. Já a soja mantém o mercado aquecido, impulsionada pela demanda global e pela valorização do dólar.

Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado de feijão apresentou alta tanto para o tipo carioca quanto para o preto. O movimento é atribuído à baixa oferta e às geadas registradas no Sul do País, especialmente em áreas produtoras de baixada.

O Paraná concentrou grande parte da demanda na última semana, em razão do atual ritmo de colheita. Parte dos grãos apresenta elevada umidade, exigindo secagem antes da comercialização. O Cepea destaca ainda que os impactos das geadas nas lavouras seguem em avaliação.

No mercado do milho, novas estimativas divulgadas pela Conab apontam aumento na produção da safra 2025/26. A primeira safra está estimada em 28,46 milhões de toneladas, volume 14% superior ao registrado na temporada anterior.

Com estoques considerados confortáveis, compradores seguem retraídos e aguardam quedas mais expressivas nos preços. Segundo o Cepea, os vendedores têm demonstrado maior flexibilidade nas negociações, tanto nos valores quanto nos prazos de pagamento, diante dos armazéns parcialmente ocupados pelas safras remanescentes.

Já a soja segue sustentada pela expectativa de crescimento da demanda internacional. De acordo com o Cepea, a valorização do dólar e a perspectiva de ampliação da participação brasileira no abastecimento mundial favoreceram as negociações no mercado interno.

Dados do USDA indicam que a produção mundial de soja deve atingir recorde na safra 2026/27, passando de 427,6 milhões para 441,5 milhões de toneladas. O Brasil deve permanecer como principal produtor global, com previsão de ampliar a colheita para 186 milhões de toneladas.

No cenário nacional, a Conab também projeta crescimento da produção brasileira de soja na safra 2025/26, estimada em 180,13 milhões de toneladas, resultado superior ao projetado anteriormente.

As movimentações no mercado de grãos acompanham fatores climáticos, oscilações internacionais e perspectivas de safra, elementos que podem influenciar diretamente os preços ao consumidor e o desempenho do agronegócio brasileiro, incluindo o mercado nordestino.

*Com informações da Cepea