Ciência, tecnologia e inovação
Cientista explica dificuldade para encontrar “novas Terras”
Planetas com características semelhantes às da Terra produzem sinais muito pequenos, dificultando a detecção pelos telescópios atuais
Embora os cientistas acreditem que existam inúmeros planetas semelhantes à Terra espalhados pelo Universo, identificá-los ainda é um grande desafio para a ciência atual. A afirmação é de Vladislava Ananieva, pesquisadora do Departamento de Física Planetária do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia de Ciências da Rússia, em entrevista à Sputnik.
"Existem planetas como a Terra, e até alguns já foram descobertos. Mas quanto menor for a massa de um planeta, mais difícil é detectá-lo", explica Ananieva.
Segundo a especialista, quando um planeta com tamanho e massa semelhantes aos da Terra orbita uma estrela parecida com o Sol, ele provoca uma oscilação muito pequena em sua velocidade radial — cerca de dez centímetros por segundo —, o que dificulta o registro por instrumentos atuais. Por outro lado, planetas desse tipo podem ser encontrados com mais facilidade ao redor de anãs vermelhas, estrelas que possuem de 0,1 a 0,5 vez a massa do Sol.
Ananieva destaca que a maioria dos exoplanetas encontrados até agora são as chamadas superterras — planetas com dimensões maiores que a Terra, mas menores que Netuno.
Ela também observa que ainda não existe uma classificação oficial e clara para os planetas extrassolares, segundo a União Astronômica Internacional. Os primeiros exoplanetas descobertos foram os chamados Júpiteres quentes: corpos com massas entre 0,3 e 13 vezes a de Júpiter, orbitando suas estrelas em menos de dez dias.
Planetas menores, de acordo com Ananieva, recebem o nome de Netunos quentes, caracterizados por raios entre dois e seis vezes o da Terra.
Entre os exoplanetas já identificados, há ainda as superterras, com raios de até 1,5 a 1,6 vez o da Terra e massas que podem chegar a dez vezes a massa terrestre.


