Ciência, tecnologia e inovação
Cientistas encontram fóssil de ''trepador de areia'' na Austrália
Espécime tinha 1,2 metro e foi encontrado por um criador de galinhas
Quando se fala em anfíbios, sapos, rãs e pererecas são os exemplos mais comuns. Mas há cerca de 240 milhões de anos, um representante desse grupo chamava atenção pelo tamanho: o Arenaerpeton supinatus, cujo nome significa “trepador de areia deitado”.
O fóssil do animal, que media cerca de 1,2 metro da cabeça à cauda, foi encontrado na Austrália por um criador de galinhas. Ao retirar pedras para construir um muro, ele localizou os restos e os doou ao Museu Australiano, em Sydney.
O material chamou atenção pelo estado de conservação: praticamente todo o esqueleto e até tecidos moles estavam preservados, com cabeça e corpo ainda conectados — algo raro em achados do tipo. A análise foi conduzida por pesquisadores do museu em parceria com a Universidade de Nova Gales do Sul, com resultados publicados no Journal of Vertebrate Paleontology.
"Este fóssil é um exemplo único de um grupo de animais extintos conhecidos como temnospondilos, que viveram antes e durante a época dos dinossauros", afirmou o pesquisador Lachlan Hart.
Anfíbio robusto e predador de água doce
Os estudos indicam que o animal viveu em ambientes de água doce durante o período Triássico, há mais de 200 milhões de anos, na região da Bacia de Sydney. A alimentação provavelmente era baseada em peixes primitivos.
Fisicamente, o anfíbio apresentava semelhanças com a salamandra-gigante-chinesa, principalmente no formato da cabeça, mas era mais robusto.
“Ele também tinha dentes bastante nodosos, incluindo um par de presas semelhantes a caninos no céu da boca”, explicou Hart.
Apesar do tamanho já impressionante, os pesquisadores indicam que exemplares posteriores poderiam ser ainda maiores. Esse porte pode ter contribuído para a sobrevivência da espécie em períodos marcados por extinções em massa. Para os cientistas, o achado está entre os mais relevantes já feitos no país. “Ele representa uma parte fundamental do patrimônio fossilífero da Austrália”, destacou Matthew McCurry.
*Com informações de Metrópoles

