Ciência, tecnologia e inovação

Alagoas tem primeiro mestrado defendido em terreiro de candomblé

Defesa inédita une saber acadêmico e tradição afro-brasileira em Maceió

Por Redação com Ufal 14/04/2026 16h04 - Atualizado em 14/04/2026 17h05
Alagoas tem primeiro mestrado defendido em terreiro de candomblé
Mestrado foi defendido no terreiro Axé Pratagy, em Maceió - Foto: Assessoria

Alagoas registrou um marco inédito na produção acadêmica: pela primeira vez, uma dissertação de mestrado foi defendida em um terreiro de candomblé no estado. A apresentação do trabalho aconteceu no terreiro Axé Pratagy, em Maceió, rompendo com o modelo tradicional das universidades e aproximando o conhecimento científico dos saberes de matriz africana.

O autor da pesquisa, Amaurício de Jesus, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), destacou o caráter simbólico e político da escolha do local.

“Foi a primeira vez que um mestrado em Alagoas foi defendido em um terreiro. Esse gesto representa uma devolutiva à comunidade e reforça o reconhecimento dos saberes tradicionais como produtores de conhecimento”, afirmou o pesquisador.

A dissertação analisa os efeitos discursivos do pedido oficial de perdão feito pelo Estado de Alagoas, em 2012, pelo episódio conhecido como Quebra do Xangô - marco histórico de perseguição às religiões de matriz africana no estado.

A defesa no terreiro também foi apontada como um avanço na valorização de espaços historicamente marginalizados. Para a orientadora da pesquisa, a professora Débora Massmann, a iniciativa vai além de um ato simbólico.


“Realizar a defesa fora da universidade é um deslocamento importante. O terreiro passa a ser reconhecido como espaço legítimo de produção de saber, rompendo hierarquias e ampliando o conceito de conhecimento”, destacou.

O momento reuniu lideranças religiosas, comunidade acadêmica e representantes de movimentos sociais, fortalecendo o diálogo entre universidade e comunidade.

Além do ineditismo, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento e valorizar a cultura afro-brasileira, especialmente diante dos desafios ainda enfrentados pelas religiões de matriz africana no país.