Ciência, tecnologia e inovação
Experimento atinge frio extremo e avança na busca por matéria escura
Projeto SuperCDMS alcança temperatura próxima ao zero absoluto e amplia chances de detectar partículas leves invisíveis no Universo
Um experimento subterrâneo atingiu temperaturas próximas ao zero absoluto, avançando significativamente na busca por matéria escura e abrindo caminho para a detecção de partículas extremamente leves que podem revelar pistas sobre a composição invisível do Universo.
O SuperCDMS, conduzido por cientistas da Universidade de Minnesota, alcançou um marco decisivo ao resfriar seu aparato até a temperatura operacional ideal. Instalado no SNOLAB, no Canadá — o laboratório subterrâneo mais profundo do mundo — o projeto foi concebido para tentar detectar a massa invisível que representa grande parte do Universo.
A equipe anunciou que o sistema atingiu um patamar de frio centenas de vezes mais baixo que o espaço sideral, permitindo que os detectores operem com sensibilidade máxima — condição fundamental para registrar sinais extremamente sutis.

Proposta formalmente na década de 1970 pela astrônoma Vera Rubin, a matéria escura é estimada como responsável por cerca de 85% da massa do Universo. Apesar de décadas de pesquisa, sua composição permanece um mistério, sustentando teorias que vão de partículas massivas a interações gravitacionais ainda não compreendidas.
O modelo mais aceito atualmente, conhecido como Matéria Escura Fria (CDM, na sigla em inglês), sugere partículas pesadas que interagem com a matéria comum apenas por meio da gravidade. O SuperCDMS foi projetado para detectar essas partículas hipotéticas, utilizando um invólucro cilíndrico de chumbo ultrapuro para bloquear radiações indesejadas.
Chegar à temperatura base — apenas 1/1.000 de grau acima do zero absoluto — representa uma transição crítica para o experimento.
De acordo com Priscilla Cushman, porta-voz do projeto, essa conquista coroa anos de trabalho para criar um ambiente de baixíssimo ruído capaz de abrigar detectores criogênicos extremamente sensíveis.
Com o sistema estabilizado, os detectores poderão explorar novas regiões do espaço de parâmetros, especialmente aquelas onde partículas ainda mais leves de matéria escura podem estar escondidas. A equipe também desenvolveu algoritmos de aprendizado de máquina e técnicas avançadas de análise para identificar rapidamente possíveis sinais, quando o experimento entrar em operação plena.
A próxima etapa será o comissionamento do detector, fase que deve durar meses e incluir calibração e otimização de cada canal. Além de buscar matéria escura, o SuperCDMS permitirá estudar isótopos raros, analisar deposições de energia em níveis de elétron-volt e, potencialmente, revelar novas interações fundamentais da física.

