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Experimento atinge frio extremo e avança na busca por matéria escura

Projeto SuperCDMS alcança temperatura próxima ao zero absoluto e amplia chances de detectar partículas leves invisíveis no Universo

Por Sputnik Brasil 11/04/2026 08h08
Experimento atinge frio extremo e avança na busca por matéria escura
Experimento busca identificar partículas invisíveis que compõem o Universo - Foto: © Foto / SNOLAB/Mike Whitehouse

Um experimento subterrâneo atingiu temperaturas próximas ao zero absoluto, avançando significativamente na busca por matéria escura e abrindo caminho para a detecção de partículas extremamente leves que podem revelar pistas sobre a composição invisível do Universo.

O SuperCDMS, conduzido por cientistas da Universidade de Minnesota, alcançou um marco decisivo ao resfriar seu aparato até a temperatura operacional ideal. Instalado no SNOLAB, no Canadá — o laboratório subterrâneo mais profundo do mundo — o projeto foi concebido para tentar detectar a massa invisível que representa grande parte do Universo.

A equipe anunciou que o sistema atingiu um patamar de frio centenas de vezes mais baixo que o espaço sideral, permitindo que os detectores operem com sensibilidade máxima — condição fundamental para registrar sinais extremamente sutis.

Os cientistas trabalhando no projeto de um escudo de baixo ruído de fundo, que cria uma zona livre da radioatividade residual que poderia mascarar o fraco sinal da matéria escura
Os cientistas trabalhando no projeto de um escudo de baixo ruído de fundo, que cria uma zona livre da radioatividade residual que poderia mascarar o fraco sinal da matéria escura

Proposta formalmente na década de 1970 pela astrônoma Vera Rubin, a matéria escura é estimada como responsável por cerca de 85% da massa do Universo. Apesar de décadas de pesquisa, sua composição permanece um mistério, sustentando teorias que vão de partículas massivas a interações gravitacionais ainda não compreendidas.

O modelo mais aceito atualmente, conhecido como Matéria Escura Fria (CDM, na sigla em inglês), sugere partículas pesadas que interagem com a matéria comum apenas por meio da gravidade. O SuperCDMS foi projetado para detectar essas partículas hipotéticas, utilizando um invólucro cilíndrico de chumbo ultrapuro para bloquear radiações indesejadas.

Chegar à temperatura base — apenas 1/1.000 de grau acima do zero absoluto — representa uma transição crítica para o experimento.

De acordo com Priscilla Cushman, porta-voz do projeto, essa conquista coroa anos de trabalho para criar um ambiente de baixíssimo ruído capaz de abrigar detectores criogênicos extremamente sensíveis.

Com o sistema estabilizado, os detectores poderão explorar novas regiões do espaço de parâmetros, especialmente aquelas onde partículas ainda mais leves de matéria escura podem estar escondidas. A equipe também desenvolveu algoritmos de aprendizado de máquina e técnicas avançadas de análise para identificar rapidamente possíveis sinais, quando o experimento entrar em operação plena.

A próxima etapa será o comissionamento do detector, fase que deve durar meses e incluir calibração e otimização de cada canal. Além de buscar matéria escura, o SuperCDMS permitirá estudar isótopos raros, analisar deposições de energia em níveis de elétron-volt e, potencialmente, revelar novas interações fundamentais da física.