Ciência, tecnologia e inovação

Cientistas treinam cães para identificar câncer pelo faro

Animais podem ser treinados para detectar alterações da bioquímica do corpo com doenças

Por Redação 08/04/2026 16h04 - Atualizado em 08/04/2026 17h05
Cientistas treinam cães para identificar câncer pelo faro
Cientistas do Reino Unido treinam cães para identificar doenças, como o câncer de intestino - Foto: Reprodução/BBC News Brasil

Pesquisadores da organização Medical Detection Dogs, localizada no Reino Unido, estão revolucionando a área de detecção de doenças humanas, como o câncer de intestino, por meio do olfato de cães.

De acordo com informações da BBC News Brasil, a instituição estuda como o faro dos cães pode ajudar no diagnóstico de doenças, já que esses animais possuem cerca de 300 milhões de receptores olfativos no nariz — uma diferença significativa em comparação com os seres humanos, que têm entre 5 e 6 milhões desses receptores.

Os receptores presentes no focinho dos cães permitem que eles detectem moléculas em concentrações extremamente baixas, na casa de uma parte por trilhão.

Isso significa que eles conseguem identificar, apenas pelo olfato, uma quantidade ínfima — semelhante a uma colher de chá de açúcar dissolvida em duas piscinas olímpicas cheias de água.

"Nós temos evidências boas e sólidas e a compreensão de que, quando você tem uma doença, ocorre uma mudança na bioquímica do seu corpo e no seu odor. Os cães podem ser treinados para reconhecer essas alterações", explicou Claire Guest, fundadora da organização.

Segundo especialistas, algumas doenças liberam moléculas que circulam no sangue, na urina, nas fezes e até no hálito. Com seu olfato apurado, os cães seriam capazes de detectar essas substâncias mesmo em concentrações muito baixas.

Um dia de treinamento

A reportagem da BBC News Brasil acompanhou um dia de treinamento desses animais. Primeiro, um técnico da organização retira amostras de urina de uma geladeira e as coloca em recipientes laboratoriais, que são encaixados em suportes. Entre quatro recipientes, um contém uma amostra com câncer de intestino, enquanto os outros três pertencem a pessoas sem a doença.

Em seguida, o cão é conduzido pelo adestrador até a sala de testes. O treinador permanece atrás de uma porta, evitando influenciar o animal com olhares ou movimentos. Ao receber o comando, o cachorro começa a cheirar as amostras até identificar aquela com câncer. Quando encontra a amostra correta, ele permanece imóvel, sinalizando a detecção.

Todas as reações do animal são monitoradas por sensores e transmitidas em tempo real para os pesquisadores.

"Para algumas doenças, como o câncer, que afeta muitas pessoas em todo o mundo, buscamos aprender com os cães e adaptar esse conhecimento para uma tecnologia, como um nariz eletrônico. Trabalhamos em colaboração com físicos ao redor do mundo para desenvolver formas de traduzir essa capacidade em um aparelho que possa ser utilizado nos serviços de saúde", concluiu Claire Guest.