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Pesquisa da Ufal estuda resposta genética ao tratamento da esquistossomose

Estudo investiga por que pacientes reagem de forma diferente ao Praziquantel e pode melhorar tratamento no SUS

Por Redação 31/03/2026 16h04
Pesquisa da Ufal estuda resposta genética ao tratamento da esquistossomose
Pesquisadores da Ufal analisam a resposta genética ao tratamento da esquistossomose - Foto: Ascom Ufal

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) busca entender por que um mesmo medicamento pode ter efeitos distintos em pessoas que vivem na mesma comunidade e enfrentam a mesma doença. O estudo analisa como fatores genéticos influenciam a resposta ao Praziquantel, principal remédio utilizado no tratamento da esquistossomose no Brasil.

A esquistossomose é uma doença parasitária crônica que ainda representa um desafio relevante para a saúde pública, especialmente em regiões com vulnerabilidade social e acesso limitado ao saneamento básico. Mesmo com medidas de controle, a doença segue presente em áreas endêmicas e afeta populações expostas a ambientes de risco.

Embora o Praziquantel seja amplamente utilizado por sua eficácia e segurança, pesquisas já indicam que a resposta ao medicamento pode variar entre os pacientes. Em alguns casos, há diferenças na efetividade do tratamento e até no surgimento de efeitos colaterais.

É nesse cenário que se insere o projeto “Farmacogenômica da resposta ao Praziquantel e o impacto no tratamento da esquistossomose na população brasileira miscigenada”. A iniciativa investiga como variações genéticas, principalmente em genes ligados à metabolização de medicamentos, podem interferir na resposta do organismo ao tratamento.

Coordenado pelos pesquisadores Vinicius de Albuquerque Sortica e Müller Ribeiro Andrade, o estudo conta com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A pesquisa tem financiamento do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Atualmente, o projeto está na fase de coleta de amostras biológicas em municípios de Alagoas, incluindo áreas urbanas e rurais. A iniciativa é realizada em conjunto com secretarias municipais de saúde e envolve diretamente a população. Além dos dados genéticos, também são analisadas informações clínicas e epidemiológicas, permitindo avaliar adesão ao tratamento, eficácia e possíveis reações adversas.

Segundo os pesquisadores, essa abordagem amplia a compreensão da esquistossomose ao considerar não apenas o parasita, mas também as características biológicas e sociais dos pacientes.

O projeto também inclui ações de educação em saúde e extensão, aproximando a universidade das comunidades. Durante atividades realizadas em eventos e territórios atendidos, a equipe promove orientações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, além de discutir o papel da genética na resposta a medicamentos.

Para o professor Müller Ribeiro Andrade, o contato com a população fortalece o papel social da universidade. “Essas ações fortalecem o diálogo entre ciência e sociedade, promovendo acesso à informação qualificada e incentivando a participação social”, afirmou.

A relevância da pesquisa já foi reconhecida nacionalmente. O grupo recebeu o prêmio de melhor trabalho científico no 17º Simpósio Internacional sobre Esquistossomose, realizado em Salvador, pelo estudo sobre farmacogenética e o uso do Praziquantel em Alagoas.

Os resultados do projeto podem contribuir, no futuro, para aprimorar os protocolos de tratamento adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), levando em conta a diversidade genética da população brasileira. A expectativa é tornar as terapias mais eficazes, reduzir falhas no tratamento e melhorar o acompanhamento dos pacientes.

“Essa abordagem pode tornar o tratamento mais eficaz, reduzir falhas terapêuticas e contribuir de forma estratégica para o controle e a eliminação da esquistossomose no país, alinhando-se às metas globais de saúde até 2030”, destacou o pesquisador.