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Pesquisa propõe uso do Instagram para monitorar manchas de óleo no litoral

O estudo da UFPR aponta as redes sociais como ferramenta acessível para identificar derramamentos e prevenir novos desastres ambientais

Por Redação 30/03/2026 15h03 - Atualizado em 30/03/2026 15h03
Pesquisa propõe uso do Instagram para monitorar manchas de óleo no litoral
Representação - Foto: Freepik

O derramamento de óleo que atingiu o litoral nordestino em 2019, considerado um dos maiores desastres ambientais do país, ainda apresenta reflexos anos depois. Em 2021, vestígios da contaminação continuaram sendo encontrados no mar, evidenciando os impactos prolongados desse tipo de ocorrência.

Além dos danos ao ecossistema, como a contaminação da cadeia alimentar e a morte de espécies marinhas, o desastre também trouxe prejuízos econômicos significativos para regiões dependentes do turismo e da pesca.

Diante desse cenário, pesquisadores brasileiros propõem uma alternativa acessível para monitorar novos registros de óleo: o uso de redes sociais, especialmente o Instagram, como ferramenta de vigilância ambiental.

Monitoramento a partir de postagens


O estudo, liderado pelo Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), analisou publicações relacionadas ao desastre de 2019 no Nordeste e a outros incidentes registrados entre 2022 e 2023.

Por meio da busca por cerca de 50 hashtags em português, como #ManchasDeOleo e #OleoNoNordeste, os cientistas localizaram registros visuais das ocorrências. A partir dessas postagens, foi possível criar, pela primeira vez, um sistema protocolar para buscar, filtrar e georreferenciar dados com base em conteúdos espontâneos publicados por usuários.

As imagens passaram por triagem para confirmar a presença de óleo na areia, na água ou em organismos marinhos. Informações como data e localização foram extraídas de legendas, comentários e geolocalização.

Para garantir a privacidade, os pesquisadores não divulgaram nomes de usuários nem links das publicações analisadas.

Resultados e alcance nacional


O levantamento identificou 312 registros em 170 localidades durante o desastre no Nordeste e outros 162 em 111 pontos entre 2022 e 2023, abrangendo 11 estados brasileiros. Parte dos dados revelou ocorrências em áreas até então não documentadas.

“O monitoramento de derramamentos de petróleo no Brasil ainda é um desafio significativo, e nesse contexto as redes sociais podem atuar como ferramentas complementares relevantes para ampliar a disponibilidade de informações”, afirmou a pesquisadora Lorena Nascimento, autora principal do estudo.

Segundo ela, o método permitiu identificar tanto grandes derramamentos quanto ocorrências pontuais ao longo da costa.

Uso de inteligência artificial


Além da metodologia baseada em redes sociais, os pesquisadores desenvolvem um novo projeto com uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina.

A proposta é ampliar o monitoramento do ecossistema marinho a partir da análise automatizada de conteúdos publicados online, permitindo respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis novos desastres ambientais.

Os resultados da pesquisa foram publicados nesta segunda-feira (30) na revista científica Ocean and Coastal Research.

*Com informações do Metrópoles